ATate Britain inaugura hoje, em Londres, uma mostra com 24 obras da colecção de arte contemporânea britânica da Fundação Gulbenkian, uma das maiores fora do Reino Unido. Entre peças de Hamish Fulton, David Hockney ou Rachel Whiteread, a grande vedeta é The Proles Wall, o enorme mural de Paula Rego inspirado no livro 1984 de George Orwell (em baixo).."Na altura em que a Gulbenkian comemora 50 anos faz sentido sublinhar a existência em Portugal desta colecção", afirma ao DN Jorge Molder, director do Centro de Arte Moderna da fundação lisboeta, onde desde 1983 se conserva e exibe este acervo - que começou a ser constituído em 1959, continua a crescer e integra já 418 trabalhos..Considerando até "insólita" esta exposição que poderá ser vista até Fevereiro de 2007 e ocupa três espaços da Tate Britain, o que é "simbolicamente muito forte", Jorge Molder adianta que a iniciativa "marca o reinício da possibilidade de se trabalhar em conjunto". Recorde-se que, em 1964, a Gulbenkian organizou na Tate Gallery a exposição 54-64-Painting and Sculpture of a Decade (então classificada como uma das melhores da década), e que apoiou financeiramente a construção, em 1979, da ala das exposições temporárias..Obras emblemáticas.Preparada com o director e conservadores da galeria britânica há mais de um ano, a "mostra" - porque é de uma selecção que se trata - "adequa-se ao espaço da Tate e dialoga com as peças da sua colecção permanente, apresentando algumas das melhores e mais emblemáticas obras da arte britânica, nomeadamente, dos anos 60", explica ao DN a comissária, Ana Vasconcelos e Melo.."Há uma ante-sala que funciona como apresentação da colecção, do coleccionador, da fundação e da relação com a arte britânica", acrescenta. Aí se exibem duas fotografias de Tim Head e Hamish Fulton de meados de 80 e cinco pinturas de Ian Stephenson, Harold Cohen, Alan Davie, Roger Hilton e Mark Lancaster. .Paralelamente, diz Ana Vasconcelos e Melo, "mostra-se documentação que remete para a exposição 54-64 dedicada às vanguardas artísticas europeias e norte-americanas, e para a ampliação da Tate em 1979. Disponibilizando-se também o acesso a toda a colecção britânica da Gulbenkian através da Internet [www.camjap.gulbenkian.org]". Mas este núcleo só ficará patente até 14 de Maio - para coincidir com a Tate Triennial Exhibition 2006, evento de incentivo à arte contemporânea comissariado por Beatrix Ruf (directora do Kunsthalle Zurich), que a Gulbenkian apoiou com 365 mil euros..Em dois outros espaços habitualmente ocupados pela colecção permanente da Tate ficam as restantes obras. Na sala dos anos 60 "podem ver-se esculturas de alunos de Anthony Caro e duas peças de Bridget Riley mais abstractas e cinéticas, que fazem uma espécie de contrapoder à Pop Art", conta a comissária. .Já na sala dos anos 80, misturadas com obras da Tate Britain, estão a escultura de Rachel Whiteread Yellow Leaf (1989), uma pintura figurativa de Steven Campbell (English Landscape with a Disruptive Gene, de 1987), a irónica figura de Bill Woodrow sobre as burocracias da guerra e a questão do nuclear (War-Head, 1987) e os 10 painéis que Paula Rego pintou em 1984 para uma exposição comemorativa do célebre romance de Orwell no Camden Arts Centre.