Grupo de jornalistas quer lançar polémica saudável e atribuir 'galardões' nos media

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Pacheco Pereira e José António Saraiva foram os dois primeiros premiados pelo grupo Os Empatados da Vida, constituído por sete figuras do meio intelectual e jornalístico que se juntaram para acender a polémica na sociedade. Na primeira avaliação, realizada sexta-feira em Lisboa, Baptista- Bastos, Mário Zambujal, Mário Ventura, Eugénio Alves, Victor Bandarra, José Manuel Saraiva e Fernando Dacosta distinguiram ainda o empresário Belmiro de Azevedo. O grupo designou o melhor e o pior artigo e a melhor entrevista do mês. Os indigitados serão convidados a almoçar com o grupo no restaurante da Associação 25 de Abril, para receberem os respectivos «galardões».

Pacheco Pereira receberá um livro em branco «para continuar a escrever bem e, se possível, me-lhor», enquanto José António Saraiva será premiado com um apagador, «a fim de ver se vai a tempo de apagar aquela escorrência».

José Pacheco Pereira foi escolhido pelos artigos «Direita/Esquerda», difundidos no Público, por se tratar de «peças de alta e invulgar qualidade, que abordam, em profundidade, e com notável clareza de estilo, o significado dos termos Direita e Esquerda na sociedade actual, e dos paradoxos e perplexidades a que a sua discussão dá lugar». Já a crónica de José António Saraiva intitulada «Um Número de Circo» atingiu a liderança na categoria «O Pior do Mês», pois, de acordo com os critérios do grupo, «em texto tão sucinto - única qualidade assinalável - seria difícil acumular tamanho fardo de absurdos originais e tantos dislates inofensivos, e, no entanto, confusos», o que torna aquela prosa do director do semanário Expresso num «desconchavo que merece ser negativamente assinalado».

Foi também premiada «A Entrevista do Mês», «Indiscutivelmente, a que Belmiro de Azevedo concedeu ao Expresso de 16 de Outubro». Os sete intelectuais, assinalam que «a frontalidade de que dá provas, naquela entrevista, deveria constituir um exemplo para os seus pares, os quais, em geral, preferem remeter-se ao silêncio, sempre receosos de desafiar a chibata política. Em consequência, é o único que dá voz aos que detêm o poder no sector produtivo do País».

O grupo revelou que «o mês de Outubro foi, sem dúvida, o mais sobrecarregado do ano» em comentários e opiniões nos media, fruto da «sucessão vertiginosa de acontecimentos, marcados por um clima quase esquizofrénico de polémica e ansiedade».

O grupo formou-se para trazer «uma polémica saudável» à sociedade, até porque «o jornalismo e a literatura estão a falhar no seu dever de criar opinião e tensão ao nível social e cultural». Este veredicto é o primeiro do grupo, mas outros se seguirão e, no final do ano, serão também dados a conhecer pelos «Empatados» o melhor e o pior dos livros publicados este ano.

«Os Empatados da Vida» reunem-se há dois meses. «A mediatização da política, o desinteresse dos intelectuais pela coisa pública e os ludíbrios culturais - literários, artísticos e cinematográficos - que se praticam devido a lobbies são, segundo Baptista-Bastos, alguns dos assuntos que suscitam o debate. Sublinha que criar polémica, «ainda que com sarcasmo e ironia» não é procurar inimizades. Baptista-Bastos garante que a escolha dos artigos e dos livros não se norteará por «simpatias políticas ou ideológicas, mas pela posição moral dos articulistas e escritores perante a vida». Prometem divulgar «as listas negras» dos jornais que fazem com que certos nomes nunca tenham lugar nas suas páginas».

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