Grandes fundos de investimento internacionais defendem um acordo para minorar as perdas sofridas com a passagem de dívida sénior do Novo Banco para o BES, considerando que sem isso Portugal e o setor bancário serão penalizados..Esta posição é defendida em comunicado conjunto da Pimco e Blackrock, que têm elevados investimentos em risco depois de, em 29 de dezembro de 2015, o Banco de Portugal (BdP) ter decidido passar do Novo Banco para o 'banco mau' BES as obrigações não subordinadas ou seniores por este emitidas e que foram destinadas a investidores institucionais, no total de 2.000 milhões de euros..Contudo, tendo em conta a situação financeira do BES (em liquidação) e o elevado nível de responsabilidade, é provável que o valor nunca seja pago, pelo menos na totalidade..De acordo com os dois fundos de investimento, a liquidação destes empréstimos "traria benefícios substanciais para a reputação de Portugal e, em última análise, beneficiaria o contribuinte português sob a forma de menores custos de empréstimos", isto quer na dívida pública quer no financiamento dos bancos..Mais, alertam que, apesar das melhorias que Portugal fez, essa decisão do banco central continua a pesar sobre o país, nomeadamente nos custos da dívida pública, mas também no setor bancário..Esta nota surge quando a Caixa Geral de Depósitos está a levar a cabo uma emissão de dívida subordinada junto de investidores internacionais com que pretende angariar 500 milhões de euros, no âmbito do processo de recapitalização, e decorre a venda do Novo Banco ao fundo Lone Star..Apesar de defenderem um acordo, estes fundos dizem que não têm outra alternativa se não avançar para tribunal contra o BdP pela decisão que consideram "discriminatória e prejudicial"..No final de dezembro de 2015, mais de um ano depois da resolução do BES, o BdP determinou a passagem, para o 'banco mau' BES, das obrigações não subordinadas ou seniores emitidas e que foram destinadas a investidores institucionais, como fundos de investimento, fundos de pensões ou seguradoras..Com esta medida - que reverteu a que tinha sido tomada após a resolução do BES, quando a entidade liderada por Carlos Costa decidiu não imputar perdas aos credores seniores ao ficar a dívida não subordinada do BES no Novo Banco -, a responsabilidade pelo pagamento daquelas obrigações seniores passou a ser do BES..Esta decisão do BdP apanhou de surpresa os obrigacionistas e foi logo muito contestada por grandes empresas internacionais de gestão de fundos, que puseram de imediato ações em tribunal..A questão é que é provável que o BES não tenha capacidade de assumir o pagamento dessa dívida devido à sua grave situação financeira..Em 13 de abril de 2016, no Relatório de Estabilidade Financeira Global, o Fundo Monetário Internacional (FMI) considerou que a decisão do BdP abalou a confiança dos investidores em Portugal