Fez bem António Guterres em começar o discurso de tomada de posse com um tributo ao sul-coreano Ban Ki-moon, dizendo ser "uma honra seguir os seus passos". Mas a verdade é que o novo secretário-geral inaugura uma era nas Nações Unidas, uma era em que se espera um diferente tipo de liderança. E foi para isso que o antigo primeiro-ministro português foi eleito, num processo que todos sabemos ter sido longo, exaustivo, exigente, competitivo e sobretudo transparente..É vasto o currículo de Guterres, seja como governante seja como alto quadro da ONU, basta pensar que até ao ano passado era o alto-comissário para os Refugiados. Contudo, aquilo que lhe dá uma força especial para lidar com os problemas do mundo é essa transparência com que foi eleito, mostrando ser capaz de convencer toda a gente, incluindo os cinco países com direito de veto no Conselho de Segurança que, cumprindo o prometido, respeitaram o inédito método de seleção que substituiu os acordos de bastidores. Será com estes - Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França - que Guterres terá de se entender muito, mas também com os restantes 188 países que integram a organização criada no final da Segunda Guerra Mundial para defender a paz.."Farei o meu melhor para servir a nossa humanidade", finalizou Guterres. A ouvi-lo estavam o presidente Marcelo Rebelo de Sousa e o primeiro-ministro António Costa, testemunho do apoio vastíssimo que a candidatura teve entre os portugueses. Não têm faltado os artigos na imprensa internacional a elogiar a qualidade da nossa diplomacia, o que é merecido, mas é preciso recordar que o novo secretário-geral da ONU chegou ao cargo graças ao seu valor, mesmo que para nós seja confortante ver nele o encarnar da capacidade de construir pontes que é tão característica do povo que descende dos descobridores do mundo. Prestemos homenagem a este grande português.