Governo salienta "percurso singular" da coreógrafa Marlene Monteiro Freitas

O Ministério da Cultura realça o "percurso singular" da coreógrafa Marlene Monteiro Freitas, em que "a experimentação se alia a um olhar meticuloso sobre os limites do corpo", numa nota de felicitações, pela atribuição do Leão de Prata de Veneza.
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As carreiras das coreógrafas cabo-verdiana Marlene Monteiro Freitas e da norte-americana Meg Stuart foram hoje distinguidas respetivamente com o Leão de Prata e o com o Leão de Ouro, da Bienal de Dança de Veneza, no nordeste de Itália.

"Marlene Monteiro Freitas é uma das mais reconhecidas coreógrafas no plano europeu, com percurso singular onde a experimentação coreográfica se alia a um olhar meticuloso sobre os limites do corpo, da perceção e da relação entre simbólico e material", afirma o Ministério da Cultura, em nota hoje divulgado, salientando "que é a primeira distinção para a dança portuguesa de um dos mais relevantes eventos internacionais para a criação contemporânea".

A distinguida, nascida em Cabo Verde, "é uma das mais reconhecidas coreógrafas no plano europeu", afirma a nota do Ministério, que acrescenta: "Trabalhando num território de amplas contradições, o discurso de Marlene Monteiro Freitas tem permitido desenhar uma paisagem estruturada a partir de um desejo intenso de aproximação ao real".

"Atenta ao detalhe, e procurando novos espaços de experimentação ao longo do seu percurso, de 'Guintche' (2010) a 'Jaguar' (2015), por exemplo, compreendemos o modo como Marlene Monteiro Freitas foi desenhando um corpo em ferida, às vezes acossado como um animal -- ou devedor de uma animalidade que não é senão um comprometimento com o presente, com a sua efemeridade e com a vontade de a contrariar. Distinta é ainda a sua abordagem à música, presença que decorre do modo como os corpos vão paradoxalmente fixando a invisibilidade e imaterialidade do movimento, e ao imaginário visual, onde a hibridez e a não-linearidade sustentam a possibilidade de inovação".

O Ministério da Cultura refere que as suas criações "têm circulado nacional e internacionalmente e, na sua mais recente criação, 'Bacantes -- prelúdio para uma fuga', que teve a sua estreia no Teatro Nacional D. Maria II [em Lisboa], numa coprodução com o Teatro Municipal do Porto e os mais importantes festivais e teatros internacionais, como o Kunsten Festival des Arts (Bruxelas), o Festival d'Automne (Paris) e Athens & Epidaurus Festival (Atenas), Marlene Monteiro Freitas enfrentava os princípios trágicos de Eurípides para um 'tour de force' sobre a hierarquia, o destino e a falha humana".

Nascida em 1979, em Cabo Verde, onde fundou o grupo de dança Compass, a bailarina e coreógrafa Marlene Monteiro Freitas cofundou em Lisboa a estrutura cultural P.O.R.K, com a qual assinou coreografias como "Bacantes - Prelúdio para uma purga", "marfim e carne -- as estátuas também sofrem" e "Paraíso".

É "uma das mais talentosas da sua geração", que se interessa mais pela "metamorfose e deformação", que trabalha mais com as emoções do que os conceitos, e que apaga as fronteiras do que é esteticamente correto, lê-se na nota de imprensa.

Meg Stuart, que tem na improvisação uma ferramenta fundamental de trabalho, recebe o Leão de Ouro de carreira, por ter desenvolvido "uma nova linguagem e um novo método a cada nova criação, colaborando com artistas de diferentes discicplinas e movendo-se entre dança e teatro".

A viver na Europa há mais de vinte anos, Meg Stuart fundou a companhia Damaged Goods em Bruxelas, e já se apresentou várias vezes em Portugal, nomeadamente com os espetáculos "Built to Last" e "Hunter".

Marlene Monteiro Freitas receberá o Leão de Prata e Meg Stuart o Leão de Ouro, a 22 de junho, na abertura do 12.º Festival Internacional de Dança Contemporânea, em Veneza.

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