Gil deixa o Governo e dedica-se só à música

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Brasil. Ministro da Cultura demite-se

Músico alega incompatibilidades entre as duas carreiras

Gilberto Gil demitiu-se das funções de ministro da Cultura do Brasil, que exercia desde Janeiro de 2003 para se voltar a dedicar inteiramente à música. "Sinto que já fechei um ciclo e quero sair. Senti uma grande pressão relativamente ao meu trabalho artístico, que estava a acumular."

A vontade de sair, revelou agora, já se arrastava desde 2006, quando o Governo que integrava terminou a primeira legislatura. O ex-ministro já teria pedido a demissão duas vezes mas só agora o Presidente Lula da Silva a aceitou.

"Espero que tenha sido importante para o Brasil que um artista tenha desempenhado com relativa facili-dade o papel de ministro." Contudo, Gilberto Gil alegou na mesma declaração ter tido muito pouco tempo para compor nos últimos cinco anos.

O músico vai ser agora substituído, para já apenas a título interino pelo actual secretário executivo, Juca Ferreira, que era igualmente o seu braço-direito. Convidado a escolher uma canção que pudesse definir o Governo, Gilberto Gil assumiu que Refazenda seria a ideal, por significar a "refazenda da vida, da gestão e da responsabilidade".

Banda Larga Cordel , o seu último álbum, chegou às lojas recentemente, tendo sido apresentado durante uma digressão pelo globo que o trouxe inclusivamente a Portugal. O disco é uma homenagem aos poetas do Nordeste brasileiro.

Gilberto Gil deu também que falar por ser um dos defensores do download livre. Em 2005, durante um debate no Fórum Social Mundial 2005, foi muito aplaudido após defender a liberdade digital. Antes, em 2003, assinou um contrato com a Creative Commons, na qualidade de ministro para a distribuição de música através da Internet.

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