O Bank of America subiu de 30% para 40% as probabilidades de a General Motors abrir falência e na Wall Street especula-se sobre qual será o futuro do gigante automóvel. Depois da baixa da classificação de crédito pela Fitch Ratings de BBB para BB+, a preocupação com a GM agravou-se como anúncio, na quarta-feira, de um erro de contabilização dos fundos para pensões de reformas em 2001, que baixarão os lucros desse ano em 400 milhões de dólares e que obriga a rever a facturação dos últimos cinco anos. Também o valor contabilístico dos 20,1% de acções que detinha na Fuji Heavy Industries estava inflacionado em 57%, quando a participação foi vendida à Toyota..Mas não é só daí que vêm as preocupações de Wall Street. Entre empregados, familiares e reformados, a GM paga seguros de saúde a 1,1 milhões de americanos, uma factura que no ano passado foi de 5,2 mil milhões de dólares e que este ano se aproxima dos 6 mil milhões. A GM estima que as suas obrigações com saúde ascendam a 77 mil milhões de dólares, o que agrava em 1500 dólares o preço de cada automóvel vendido..Além disso, face aos compromissos assumidos com a Delphi (em protecção de falência) através do Sindicato da Indústria Automóvel (UAW), a GM poderá ter que assegurar benefícios aos trabalhadores e reformados da Delphi, calculados em 16 mil milhões de dólares..O valor da empresa é hoje de apenas 13,3 mil milhões de dólares, um décimo do valor da Toyota e inferior, por exemplo, à empresa de confecções GAP. Pela primeira vez desde 1992, a GM apresentou prejuízos sucessivos nos últimos quatro trimestres, tendo perdido desde o princípio do ano 3,8 mil milhões de dólares. Gina Proia, a porta-voz da empresa, declarou ontem que "a GM tem planos agressivos para retomar rapidamente os lucros nas operações na América do Norte"..Mas o futuro pode não ser esse. Kirk Kerkorian, bilionário de Las Vegas que detém 9,9% do capital, está a pressionar a empresa para obter maior representação na administração e já anunciou a disposição de comprar mais acções. Segundo os analistas, a estratégia de Kerkorian é tomar o controlo da GM, vender a General Motors Acceptance Group (único ramo rentável) por 10 a 15 mil milhões de dólares, e desfazer-se do restante. As negociações entre a Delphi e a UAW, previstas para Dezembro, podem fornecer as últimas munições de que Kerkorian precisa.