Portugal tem um dos preços do gás natural mais caros para os consumidores domésticos dentro da União Europeia. Só uma carga fiscal muito baixa (apenas 5% de IVA) impede que o preço pago pelas famílias portuguesas seja o sexto mais caro nos países que divulgaram valores no primeiro semestre do ano. Na indústria, só os maiores clientes têm tarifas na média da UE. .Segundo dados do Eurostat, referentes aos seis primeiros meses de 2006, publicados na síntese de energia de Agosto, do Gabinete de Estratégia e Estudos do Ministério da Economia, os consumidores domésticos nacionais pagavam o oitavo gás mais caro entre os 17 países da União Europeia que divulgaram valores para aquela data, estando ainda acima da média aritmética de preços finais praticada por aqueles países. No entanto, e uma vez descontado o efeito fiscal, o gás dos clientes com níveis de consumo de 8,37 gigajoule (Gj) por ano, que é a categoria mais frequente em Portugal, apresenta o sexto preço mais caro, só ultrapassado pela Dinamarca, Irlanda, Holanda, Alemanha e Suécia. Nos clientes domésticos com maiores consumos (16,7 Gj por ano), o preço sem impostos era o quarto mais caro, e sempre acima da média. Mas mesmo contabilizando a carga fiscal, os clientes nesta categoria continuavam a ter, em Junho, o quinto preço mais alto. .Portugal e o Reino Unido têm os dois níveis de impostos sobre o gás natural mais baixos da União Europeia (5%). No entanto, os ingleses têm o quinto preço mais baixo dos países analisados. Já em Espanha, que apresenta uma carga fiscal mais elevada (14%), os domésticos pagam ainda assim um preço final inferior ao dos vizinhos portugueses, 18,73 euros por Gj para os consumos menores, contra 21,41 euros por Gj de preço final pago pelos mesma categoria de clientes em Portugal..Na indústria, onde não incidem impostos, os preços portugueses continuam a ser dos mais altos para os segmentos médios, mas já são competitivos para os grandes clientes. Para consumos anuais 4186 Gj, as empresas portuguesas pagaram no primeiro semestre, o quinto preço mais caro dos 19 países que apresentaram valores. O preço nacional nesta categoria é ainda superior à média aritmética dos outros países. Em relação a Espanha, onde estão os principais concorrentes da indústria portuguesa, os nacionais pagavam mais 40%. Só os grandes clientes industriais, onde se inclui o sector eléctrico, é que têm um preço em linha com a generalidade dos congéneres europeus. Estas empresas, com consumos de 41869 Gj por ano, pagavam o décimo preço mais barato num universo de 19 países e muito próximo do valor cobrado em Espanha. Mas ainda assim, estão cerca de 10% acima da média aritmética. .Em relação à evolução dos preços finais desde 2002, os aumentos em Portugal estão até entre os menores. O facto de o gás natural ainda não ser um mercado maduro em Portugal, onde entrou há apenas dez anos face aos 50 anos de Espanha, e por isso mesmo ainda não estar liberalizado, é um dos factores que ajudam a explicar esta desvantagem nos preços. As tarifas, que ainda não são reguladas, são fixadas trimestralmente pela Galp e distribuidoras regionais com a luz verde da Direcção-Geral de Energia, e têm de permitir amortizar um grande investimento ainda recente. Por outro lado, e em parte pelas mesmas razões, o consumo médio nacional está muito abaixo dos valores da UE, o que contribui para que o preço seja mais alto. Uma casa em Portugal consome em média 270 metros cúbicos por ano, contra 700 metros cúbicos em Espanha.