Seis mulheres e cinco homens foram detidos no Algarve, suspeitos de assaltar e burlar mais de 20 idosos que vivem na zona do Barrocal Algarvio - isolados entre a serra e o mar - chegando a espancar as vítimas que tentavam resistir. Ao longo de mais de um ano, a rede dedicou-se também ao furto de roupa, medicamentos e perfumes nas grandes superfícies e ao roubo com recurso ao esticão nas zonas turísticas. O material era armazenado numa sucata em Lagoa..Belo Romão (Olhão), setembro de 2014. Um casal de octogenários, com dois filhos deficientes, foi assaltado duas vezes no espaço de três semanas. Dois homens e uma mulher espancaram violentamente os idosos no primeiro roubo, enquanto no segundo os assaltantes seriam surpreendidos por um vizinho que tentou ajudar, mas acabaria agredido com uma paulada na cabeça, necessitando de tratamento hospitalar. O trio lograva escapar levando consigo cerca mil euros em dinheiro. .As autoridades admitiam na altura que o isolamento desta família, com a avançada idade dos pais e a incapacidade dos filhos - um deles acamado - foi o chamariz para os assaltantes, sendo este um dos roubos de que é suspeita a rede criminosa agora desmantelada pela GNR. Seguiram-se outros crimes, com características semelhantes, revelando a investigação que há mais de 20 idosos vítimas deste grupo, que escolhia zonas distantes e de difícil acesso. .Em comum estão os casos de idosos que viviam isolados e a quem começava por ser proposta a compra de alguns produtos ou troca de notas. Também havia quem só pedisse um copo de água para início de conversa. A maioria das vítimas guardava em casa ouro e o dinheiro das respetivas reformas. Os hábitos e património dos idosos seriam estudados pela rede. A maioria dos assaltos terá coincidido com os dias em que as pessoas levantavam as reformas..Contudo, os assaltos aos idosos isolados começavam antes. E nos meios urbanos. A rede roubava artigos por esticão na via pública e furtava em grandes superfícies. O grupo escolhia roupa, perfumes e até medicamentos em parafarmácias, conseguindo fazer os artigos passar nas caixas registadoras sem serem detetados. Eram introduzidos em sacos forrados com prata ou alumínio para ludibriar as antenas dos alarmes..Os produtos roubados eram depois encaminhados para o armazém de uma sucata em Lagoa - cujo proprietário também foi detido - até que começava a outra fase do esquema. Alguns artigos eram simplesmente vendidos no mercado negro, enquanto outros serviam para aliciar os idosos mais desprotegidos do Barrocal Algarvio. "No fundo, era uma forma de os suspeitos se aproximarem das pessoas e tentarem ganhar a sua confiança para depois as roubarem", revela ao DN fonte da GNR, acrescentando que as agressões começavam quando as vítimas percebiam do que se tratava, procurando oferecer resistência. Algumas ficaram em mau estado na sequência de brutais agressões.. "Por incrível que pareça, tratava-se de uma rede organizada em três grupos", diz a mesma fonte, reportando-se aos elementos que se dedicavam ao roubo por esticão, aos que furtavam estabelecimentos e aos que depois assaltavam os idosos, tendo o grupo superado a centena de queixas ao longo de mais de um ano. As detenções foram consumadas na quarta-feira no âmbito de um inquérito dirigido pelo Ministério Público, envolvendo diferentes núcleos de investigação criminal de Faro e de Setúbal. Uma das 20 buscas, dez em residências e dez em veículos, foi feita no Montijo, onde residem suspeitos. As restantes tiveram lugar em Portimão, Lagoa e Olhão..As autoridades admitem que o número de vítimas seja "maior", já que algumas não terão apresentado queixa receando represálias.