Futuro do 'Tea Party' incerto depois do acordo da dívida

O futuro político do movimento ultra-conservador norte-americano do 'Tea Party' é incerto, depois da votação do projecto de lei que aumenta o limite máximo da dívida no Congresso, que dividiu o grupo.
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A republicana candidata presidencial Michele Bachmann, que integra a Câmara dos Representantes, e os senadores Mike Lee e Jim DeMint são alguns dos eleitos pelo 'Tea Party' que votaram contra o aumento do limite da dívida. Na Câmara dos Representantes, 59 dos 87 novos eleitos republicanos nas eleições de 2010, próximos do 'Tea Party', alinharam com os chefes do partido e votaram 'sim' ao compromisso na dívida, tal como mais de metade dos senadores do 'Tea Party'.

A arena política norte-americana está assim a interrogar-se sobre o papel do movimento, nascido em 2009 da cólera dos eleitores afectados pela crise económica, na corrida para as eleições presidenciais de 2012, contra Barack Obama, candidato dos democratas. "Penso que nada vai mudar. Para nós, é o início do debate. Vamos continuar a promover soluções e acordos. Penso que este [compromisso sobre a dívida] é um acordo, não uma solução", garantiu à AFP o senador republicano Rand Paul, uma das figuras do 'Tea Party' no Congresso.

Os analistas políticos estimam, no entanto, que as divisões no seio do 'Tea Party' não vão existir em 2012 e que os republicanos se vão unir em torno do seu candidato às presidenciais de Novembro do próximo ano. "Essas falhas vão acabar e o Partido Republicano estará provavelmente mais unido em torno da questão da criação de emprego e sobre as críticas ao mandato de Obama", afirmou Matt Dickinson, politólogo do Middlebury College, destacando ainda que o presidente Bill Clinton foi reeleito em 1996, fazendo campanha contra os republicanos do Congresso que acusou de serem radicais.

Mas, mesmo que Obama pareça em vias de fazer o mesmo aos seus rivais, Clinton "nunca esteve numa situação económica tão má" como o actual presidente norte-americano, acrescenta o politólogo. "Podemos ter um partido dividido em 17 facções concorrentes, mas até ao verão de 2012 toda a gente se vai unir contra Obama", garantiu um responsável republicano. Outras figuras do 'Tea Party' juntaram-se a Paul, opondo-se ao acordo hoje promulgado por Obama para aumentar o limite de endividamento. O argumento é que o projecto de lei não é suficiente para resolver os problemas orçamentais do país.

Alguns analistas defendem mesmo que o acordo sobre o aumento limite da dívida norte-americana reduz pouco o défice orçamental e faz ainda menos para relançar a economia, pelo que persiste o perigo sobre um eventual corte pelas agências de 'rating'. O acordo inclui cortes nas despesas do governo entre os 2,1 biliões [milhão de milhões] e os 2,4 biliões de dólares, ao longo de dez anos.

Bill Hassiepen, vice-presidente da Egan Jones, uma empresa de avaliação de risco, afirmou numa entrevista à estação de rádio NPR, que "a economia dos Estados Unidos cresce muito mais lentamente" e que "o governo continua a pedir emprestado demasiado" para pagar as suas contas.

Para o responsável, "apesar de todo o clamor por causa do acordo sobre a dívida, as coisas não mudaram", uma vez que, "no cálculo mais optimista, os Estados Unidos somam 830 mil milhões de dólares à sua dívida em cada ano nos próximos dez anos". Já Cármen Reinhart, do Instituto Peterson para a Economia Internacional sublinhou que "de forma nenhuma o compromisso sobre a dívida dissipa a ameaça de uma queda do 'rating' do crédito" dos Estados Unidos.

Actualmente, o endividamento do país está no seu nível mais elevado desde o fim da II Guerra Mundial, "mas", explicou a responsável, "o que existe agora e não existia nessa altura é um nível muito alto de endividamento individual, das famílias".

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