"Não corresponde minimamente à verdade a demolição de um edifício. É uma palavra extremamente agressiva e revela um desconhecimento da realidade", disse o presidente do Conselho de Administração da Fundação Robinson, José Faria Paixão, em declarações à agência Lusa..O partido ecologista Os Verdes (PEV) anunciou hoje que vai apresentar uma denúncia por crime contra o património devido à demolição de um dos edifícios da antiga fábrica, relatando, em comunicado, ter recebido uma denúncia, documentada com fotografias, de que o Conselho de Administração da Sociedade Corticeira Robinson "estaria a demolir a antiga fábrica Robinson, classificada de interesse público".."O atual Conselho de Administração acabou de demolir um dos edifícios desse espaço, cuja parte do teto tinha sido afetada por uma derrocada, derrubando todo o edifício para cima das máquinas a vapor", lê-se no documento..José Faria Paixão contesta estas acusações dos ecologistas e explica que o referido edifício já estava referenciado como sendo para demolir, não tendo ocorrido essa operação porque, em março de 2018, o teto e parte de umas paredes laterais acabaram por ruir.."Todos os escombros caíram para cima de duas máquinas que lá estavam", sublinhou..Em maio de 2018, acrescenta o presidente da Fundação Robinson, ruiu uma outra parede tendo esta situação transformado numa "ameaça pública" para todos aqueles que visitam aquele espaço, "principalmente" crianças.."O Instituto Politécnico de Tomar criou um perímetro de segurança em redor do edifício e todas as semanas ia caindo uma pedra, um tijolo. E se caísse uma pedra na cabeça de uma criança", questionou..José Faria Paixão acrescentou ainda que o que foi feito agora no local traduziu-se numa "ação de limpeza e deitar abaixo uma parede"..Os Verdes prometem "imediatamente" tomar as medidas necessárias junto do Ministério da Cultura e da DGPC (Direção Geral do Património e Cultura) e da própria polícia, onde pretendem entregar uma denúncia por "crime contra o património"..O partido destaca também que vai exigir à Câmara Municipal de Portalegre esclarecimentos sobre se licenciou a "tal demolição"..Os Verdes lembram "a grande luta nacional" do partido através de uma ação junto do Presidente da República, do ministro da Cultura e na própria Assembleia da República, assim como uma petição nacional que levou à aprovação em 2017 por unanimidade de uma Resolução Parlamentar que "afirmava a vontade e urgência de salvar aquele património..Em 2017, um grupo de cidadãos, entre eles dirigentes do PEV, entregaram na Assembleia da República a petição "Salvem a Robinson - Património Industrial Corticeiro" em Portalegre..A petição, que reuniu mais de quatro mil assinaturas, tinha por objetivo "salvar e valorizar" o património cultural e material da antiga Fábrica Robinson, situada naquela cidade alentejana e envolvida num processo de insolvência após ter cessado atividade em 2009..Ainda em 2017, a petição foi discutida na Assembleia da República, tendo sido aprovada por unanimidade uma recomendação ao Governo no sentido de salvaguardar e valorizar o património industrial corticeira da antiga fábrica..De acordo com o texto da petição a fábrica foi "instalada em Portalegre desde 1837, por iniciativa de um grupo de industriais ingleses que se dedicavam ao trabalho da cortiça em bruto".."Ocupando cerca de sete hectares em pleno centro histórico da cidade de Portalegre, a Fábrica Robinson cessou a sua atividade industrial nos primeiros anos do século XXI, mais precisamente em 2009, na sequência da insolvência da Sociedade Corticeira Robinson", refere o texto. .A petição sustenta que "as suas duas imponentes chaminés marcam o perfil da cidade, juntamente com a torre de menagem do Castelo e a frontaria e torres sineiras da Sé Catedral, construída em relação com a criação da Diocese de Portalegre e Castelo Branco e a elevação de Portalegre a cidade, por carta régia de D. João III, em 1550".