Romain Franck, jovem motorista contratado pelo consulado, é acusado por Israel de se ter aproveitado da proteção que lhe conferiam as suas funções para transportar num veículo, em cinco viagens, 70 pistolas e duas espingardas automáticas entre o enclave palestiniano da Faixa de Gaza e a Cisjordânia ocupada..Os dois territórios palestinianos estão separados por algumas dezenas de quilómetros de território israelita. A Faixa de Gaza é alvo de um rigoroso bloqueio israelita, mas o interior dos veículos diplomáticos não é geralmente controlado..Segundo o serviço de segurança interna israelita, o Shin Beth, Franck recebia as armas de um funcionário do Centro Cultural francês em Gaza e entregava-as a um indivíduo na Cisjordânia que as revendia a traficantes. A acusação diz que recebeu cerca de 5.500 dólares (4.900 euros) pelo transporte.."No quadro de um acordo judicial, o acusado confessou e foi condenado por três acusações (importação, comércio de armas e fraude)", declarou o ministério numa resposta escrita à agência France Presse.."A sentença será divulgada a 08 de abril", adiantou o ministério, precisando que o antigo funcionário do consulado arrisca uma pena de sete anos de prisão..Romain Franck, que não beneficia de imunidade diplomática, foi detido em fevereiro de 2018 e o julgamento começou no mês seguinte..O caso é delicado para a diplomacia francesa, embora o Shin Beth tenha indicado que "agiu por dinheiro, sozinho e sem o conhecimento dos seus superiores"..Durante uma audiência em novembro, o advogado de Franck, Kenneth Mann, declarou que o seu cliente não tinha motivações ideológicas e não tinha procurado ajudar ativistas palestinianos..A Faixa de Gaza é governada desde 2007 pelo movimento radical Hamas, considerado como terrorista por Israel, Estados Unidos e União Europeia..Sem ter contacto com o Hamas, os diplomatas franceses deslocam-se regularmente a Gaza, ao contrário por exemplo dos norte-americanos.