SIGNIFICA uma tirada de quase mil quilómetros, mais cem menos cem se estiver em Lisboa ou no Porto, mas o automóvel é a forma mais simples de chegar ao paraíso branco e divertido de Formigal, ou todas as outras quatro estações de neve do grupo Aramón, nas montanhas de Aragão. A alternativa de acesso implica um pouco de espírito Philleas Fog, isto é, disposição para apanhar o avião até Madrid, o comboio de alta velocidade até Saragoça e o Bus Blanco, um autocarro que sai da capital da região para as maiores estações de esqui de Espanha..Formigal, no topo de Sallent Gallego, é mesmo a maior do país vizinho e faz jus ao mote que adoptou: Relajate... si puedes (Relaxa... se conseguires).Além das pistas excelentes, dos meios de acesso modernos e variados e das actividades tradicionais como o esqui ou o snowboard, as cinco pistas de Formigal fervilham (ou formigam) com pontos de restauração – da sofisticada trattoria com vista de tirar a respiração, na pista de Cantal, ao funcional e divertido Marchika, no edifício de Sextas, com bares de animação pós-esqui, jardins de neve para as crianças (gratuito, além do mais), DJ em cada pista e um ambiente de grande eficiência e segurança proporcionado por gente jovem e qualificada..Joaquín del Rincon, o director de marketing da estação, é ele mesmo um ex-campeão espanhol de esqui e não deixa que se façam confusões: Formigal, tal como Cerler, Javalambres, Panticosa ou Valdelinares, as outras estâncias do grupo Aramón, são pontos de excelência para a prática de esqui, seja o de lazer seja o de competição, já que alberga provas internacionais como o Campeonato do Mundo Júnior..COMEÇANDO pelas condições da prática (quatro por cento dos visitantes são portugueses, que no ano passado asseguraram mais de um milhão de horas de esqui), os novatos têm tudo o que precisam para se iniciarem: dos fatos aos esquis, dos óculos aos bastões e, essencialmente, uma grande equipa de monitores pacientes e motivadores..Os habituès dispõem de condições de prática excelentes, em pistas que são diariamente controladas nas condições da neve e totalmente interligadas, o que permite deambular por toda a Formigal sempre pela montanha. O grupo Aramón, empresa mista com capitais da Ibercaja e do Governo de Aragão, investiu nos últimos anos 150 milhões de euros nas estações e encara a actividade «como uma oportunidade de proporcionar às populações do vale do Tena um desenvolvimento sustentado, que conjugue pujança económica e respeito pela natureza», destacou o presidente da Aramón, Francisco Bono.Outra coisa garantida é um apertado controlo de boas práticas. Só no início de Janeiro, meia dúzia de esquiadores foram expulsos por terem esquiado fora de pista e provocado deslizamentos e avalanchas. «Nas questões de segurança somos inflexíveis. E pode crer que mesmo numa estação cheia com 14 mil esquiadores, como era o caso nesse fim-de-semana, o facto de seis ou sete terem sido expulsos foi logo conhecido, e bastante dissuasor.».A prática do grupo é a cassação do forfait (o passe de acesso às pistas e a todas as instalações de cada estância) do esquiador e a interdição de frequentar qualquer outra estação da Aramón. «Claro que no final ainda os entregamos à Guardia Civil», frisa Joaquín, desfilando a enormidade de meios de socorro e apoio que estão ao dispor dos frequentadores de cada estância nas montanhas aragonesas..EM FORMIGAL, porém, há uma actividade que supera em emoção todas as outras, sejam as desportivas sejam as sociais na tenda iglô, no povoado índio ou nas viagens de heliesqui: é o passeio de trenó puxado por cães, magníficos exemplares do Alasca, da Sibéria ou nórdicos. Gerardo Pérez, o Titín, que no Verão é guia equestre, controla com sabedoria e amor bastante uma matilha de quase sessenta cães, machos e fêmeas, que se transformam nas estrelas de Formigal de cada vez que saem à desfilada com os trenós. Titín vai na frente, e o visitante, depois de uma simples e clara explicação técnica, deixa-se guiar com encanto pelos animais, felizes no seu elemento. Quem esquia ou passeia de moto de neve, se levar máquina ou telemóvel, não resiste e pára para um instantâneo: o trenó, os cães, a neve, são o símbolo perfeito do homem como parceiro da natureza agreste das montanhas de Aragão..O melhor de tudo é que no Verão, sem neve, os Pirenéus continuam lá e são também um paraíso de vida saudável e divertida que espanhóis e visitantes de todo o mundo (a França fica a seis quilómetros pela montanha) escolhem para desfrutar..TOME NOTA.Preços váriosNuma estância de esqui tudo se paga mas tudo vale a pena. O forfait de cinco dias em Formigal fica por 147,50 euros (para um adulto) e um curso de esqui (de 15 horas em cinco dias) sai a 89 euros, se for na temporada de promoção, ou de 115 euros na época alta (para snowboard é o mesmo). No local é possível alugar todo o material que não se tiver – a preços variados – e uma boa opção pode ser, depois de experimentar na estância, comprar nas lojas das povoações. Não é mais caro do que nas grandes superfícies e, como dizia Monique Casadebaig, da Aneu Moda, pelo menos ali «não se pode enganar o freguês, sob pena de o ver voltar dali a umas horas para reclamar». A oferta de alojamento é variadíssima e para todas as bolsas, e muitos hotéis aderiram a um convénio que deixa a pernoita grátis para crianças. A temporada de neve acaba em Abril e, além da animação do dia-a-dia, está programada a tradicional festa de encerramento em todas as estações.