O Fundo Monetário Internacional (FMI) considera que em Portugal "o subsídio de desemprego dura muito tempo, o que desincentiva a procura de um novo trabalho". O responsável da delegação do FMI que se encontra de visita a Portugal, Philip Gerson, defendeu ontem - durante uma audição com a Comissão Parlamentar de Orçamento - que Portugal precisa, assim, de "reformas na protecção do desemprego"..Recorde-se, no entanto, que as recentes alterações propostas pelo Governo para o subsídio de desemprego prevêem que haja uma diminuição do seu período de duração para quem tenha menos de dois anos de descontos para a Segurança Social..Sobre a situação da economia portuguesa, Philip Gerson considerou que existem "sinais de fortalecimento do crescimento económico, com notícias positivas do lado das exportações". Segundo o chefe de missão do FMI, o "crescimento parece estar a fortalecer-se", adiantando que o PIB deverá aumentar em 2006 cerca de 1%. Philip Gerson defendeu, contudo, que Portugal precisa de chegar ao equilíbrio orçamental para conseguir manter um melhor ritmo de crescimento económico. Ou seja, uma redução do défice orçamental para os 3 % do PIB não "será suficiente no médio prazo"..Comentando as medidas tomadas pelo Executivo português, Philip Gerson afirmou que apoia as orientações tomadas para se reduzir o défice, mas avisa os portugueses que se "está apenas a meio do caminho". Depois de uma fase em que a redução do défice foi feita maioritariamente à custa do aumento da arrecadação fiscal, com a subida de impostos como o IVA, o responsável do FMI defende a necessidade de "se reduzir o peso do Estado". Mostrou-se ainda esperançado nos efeitos benéficos nas reformas previstas a nível da Segurança Social e da redução do número de funcionários públicos. Segundo Philip Gerson, para 2007, "há boas razões para acreditar que as metas orçamentais fixadas vão ser cumpridas" e que Portugal terminará o ano com um défice de 3,7%..Em termos de futuro, o chefe da missão do FMI defende a necessidade de Portugal conseguir um nível de produtividade mais elevado "que lhe permita pagar melhores salários"..Em resposta a uma questão do presidente da Comissão de Orçamento, o social-democrata Patinha Antão, o responsável do FMI defendeu a vantagem das parcerias público-privadas, considerando, no entanto, que faz sentido, nalguns casos, "integrar no sistema público elementos da gestão privada", defende que para essas parcerias funcionarem se deve assegurar uma correcta transferência de risco para os privados. A delegação do FMI vai estar em Portugal durante dez dias e terá vários encontros de forma a elaborar o relatório de Outono sobre Portugal.