Financiar a casa nova: a importância de comparar propostas
Nos últimos anos, o quadro económico mudou e o crédito habitação também mudou. O mercado continuou a crescer, mas há várias condicionantes a ter em conta quando falamos em financiamento. Afinal, qual é a visão dos portugueses sobre este tema no contexto atual?
A compra de uma nova casa - e, em muitos casos, a primeira habitação - é uma decisão que deve ser ponderada, com vários fatores em análise, como a tipologia, localização e financiamento. E, por isso mesmo, por vezes, demora tempo. Um aspeto decisivo que deve pesar na balança é a questão do crédito habitação. Segundo o estudo "Casa_PT", que realizámos em parceria com o Centro de Estudos Aplicados da Universidade Católica Portuguesa, 63,4% dos inquiridos demoraram menos de dois meses a completar o processo de financiamento, sendo que quase metade dos inquiridos (49,4%) trataram do crédito habitação apenas depois de terem encontrado a casa que queriam comprar.
Esta é uma tendência que não recomendamos. Escolher uma casa sem se ter a certeza de que se pode pagá-la pode levar a frustração no comprador e, sobretudo, não é uma forma realista de guiar o processo. Primeiro, devem-se pedir propostas, diretamente às entidades financeiras ou com o devido acompanhamento de intermediários de crédito caso a compra seja feita com o apoio de um mediador imobiliário, e só escolher casas de acordo com o valor de crédito habitação adequado ao perfil de rendimentos de cada agregado familiar. Desta forma, as expectativas dos compradores, mediadores e vendedores estão alinhadas.
De facto, recorrer a financiamento é a forma mais usual de comprar casa (como referiram no estudo "Casa_PT" 77,5% dos inquiridos que compraram casa nos últimos três anos), mas o processo não termina na receção de uma proposta. São necessárias várias propostas. Quando é feita uma simulação de crédito habitação, cada Banco fornece uma Ficha de Informação Normalizada Europeia (FINE), um documento que apresenta as principais características do crédito. É importante guardar todos estes documentos, para avaliar, de uma melhor forma, as diferentes propostas porque, embora 85,2% das pessoas inquiridas no mesmo estudo consultem o seu banco habitual, é recomendável fazer simulações em diferentes Bancos para ter pontos de comparação e perceber qual a proposta mais vantajosa.
É também fundamental pensar além do spread, que não representa a totalidade dos custos é apenas um entre muitos outros, e ter em conta outros indicadores que esses sim representam a globalidade dos custos com o empréstimo, como o Montante Total Imputado ao Consumidor (MITC) e a Taxa Anual de Encargos Efetiva Global (TAEG).
A compra de uma nova casa traz vários desafios e muitas questões, mas, cada vez mais, o cliente tem informações ao seu dispor e várias soluções que se adaptam a diferentes necessidades. Para que, quando encontrar a casa dos sonhos, consiga passar rapidamente do sonho à realidade.
Pedro Megre, CEO da UCI Portugal

