O governo quer aprovar um decreto-lei para acabar com o fim gradual do corte salarial de 5% aplicado aos membros dos gabinetes políticos. Uma notícia que mereceu a condenação do CDS-PP, um pedido de explicações por parte do Bloco de esquerda (BE) e dividiu o PSD. Rui Rio não tem nada a opor, Fernando Negrão discorda profundamente..O mais duro nas críticas foi o CDS-PP, através do seu líder parlamentar, Nuno Magalhães. "Penso que é contraditório, é imoral, é irresponsável e creio que os portugueses não conseguem compreender que, de um lado o Governo corte com as cativações que faz, corte no serviço público que presta aos portugueses e, ao mesmo tempo, o que se lembra de fazer é repor os cortes do 'staff' político", defendeu..O BE, parceiro no acordo de governo, considerou "estranha" a decisão "nas prioridades que assume". "Há ainda um longo caminho para fazer nas prioridades até chegarmos aos gabinetes políticos. E se olharmos por exemplo para o subsídio de desemprego que quem tem subsídio de desemprego há mais de seis meses tem 10% de corte e, no entanto, o governo rejeitou a proposta do Bloco de Esquerda de eliminar na totalidade esse corte", lembrou Pedro Filipe Soares, líder parlamentar bloquista..Já no PSD a opinião do líder do partido e do líder da bancada parlamentar não coincidem. Rui Rio defendeu: "Se a política do Governo foi acabar com todos os cortes, não tenho nada a opor a que se acabem com todos os cortes mesmo." Já Fernando Negrão mostrou-se contra, acrescentando que "a despesa pública é que deve estar controlada, o primeiro a dar o exemplo deve ser o governo". Motivos que levam assim, o deputado a garantir que o partido discorda "profundamente dessa medida". Confrontado com as declarações de Rio, o líder parlamentar admitiu que "pensavam de forma diferente"..O PS apoia o fim gradual dos cortes salariais aplicados aos membros de gabinetes políticos, considerando que a reposição de vencimentos deve abranger todos os trabalhadores na esfera do setor público, e demarcou-se de perspetivas populistas..A posição socialista foi transmitida aos jornalistas pelo deputado Pedro Delgado Alves, que recordou que ao longo dos últimos anos "têm sido implementadas pelo governo medidas de reversão de cortes salariais que estavam associadas à situação extraordinária em que Portugal se encontrava".."Obviamente, esses membros de gabinetes trabalham, recebem uma remuneração ao final do mês e, havendo uma política generalizada de reversão [de cortes salariais], essa medida de reposição deve ser entendida neste mesmo contexto", alegou.