Filha de vítima de George Wright pede extradição

A filha do proprietário de uma estação de serviço morto a tiro por George Wright, em 1962 pediu a Portugal que extradite o assaltante. Wright, hoje com nacionalidade portuguesa, escapou de uma prisão americana em 1970 e, desde então, iludiu as autoridades do seu país de origem.
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George Wright, hoje com 69 anos, foi condenado por ter disparado mortalmente sobre Walter Patterson no assalto à sua estação de serviço em New Jersey, ocorrido em 1962. Wright apenas conseguiu obter cerca de 70 dólares.

A justiça portuguesa já se opôs a dois pedidos de extradição de George Wright, considerando que se trata de um cidadão português.

Uma das filhas da vítima, Ann Patterson, falou na quarta-feira na Comissão de Helsínquia, uma agência norte-americana para os direitos do Homem na Europa.

Ann Patterson recordou que seu pai combateu na Europa durante a II Guerra Mundial, o que lhe valeu uma Estrela de Bronze em reconhecimento dos serviços prestados.

A filha da vítima, que na época tinha 14 anos, recordou que tanto ela como a irmão foram colocadas num lar depois da morte do pai, uma vez que a mãe morreu pouco depois.

"George Wright não pode apagar a sua vida criminosa. Ele obteve de forma fraudulenta a nacionalidade portuguesa, mas quatro falsas identidades não podem mudar o facto de que ele nasceu George Edward Wright nos Estados Unidos e que cometeu crimes quando vivia no país", afirmou a filha da vítima.

Jonathan Winer, antigo funcionário do Departamento de Estado, defendeu a hipótese de que Wright pode ser preso pelo Governo dos Estados Unidos, ao abrigo da chamada rendição extraordinária, uma ação que a administração Bush usou para capturar terroristas.

O responsável alertou que este tipo de intervenção poderia arrefecer as relações dos Estados Unidos com Portugal por vários anos.

As autoridades norte-americanas querem que Wright cumpra o resto dos 15 a 30 anos de pena de prisão que ainda lhe falta cumprir. O Departamento de Estado mostrou-se "extremamente dececionado" após a justiça portuguesa ter recusado a extradição.

Antigo membro do Black Liberation Army, um movimento considerado radical, George Wright ajudou a sequestrar um voo da Delta Air Lines para a Argélia, em 1970, ano em que fugiu da prisão, e não voltou a ser encontrado até ao ano passado, quando foi detido em Portugal.

Detido a 26 de setembro em Portugal, Wright vivia há 20 anos em Almoçageme, Sintra, com o nome de José Luís Jorge dos Santos.

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