Fernando fecha loja pela primeira vez e Carlos abre o salão de festas

Fernando Garcia prepara-se para fechar a Florista Jardim de Belém durante a visita do Papa, o que acontecerá pela primeira vez em 28 anos. "As flores são um negócio especial e nunca fechámos, mas vou ter de o fazer se as ruas estiverem cortadas", diz.
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Fernando começou a trabalhar aos 11 anos, a viver sozinho aos 13 e a ser dono de um negócio aos 18. "Foi com o meu dinheiro, claro!" , esclarece. Teme que não o deixem circular de carro e não poder satisfazer as encomendas dos clientes.

José Almeida, dono da Pastelaria Nanuso há 22 anos, tomou a mesma decisão. "São menos dois dias de negócio, mas prefiro. Vai ser uma grande confusão", justifica.

Os comerciantes de Belém temem que as restrições viárias prejudiquem o negócio. O Papa fará uma cerimónia de boas-vindas frente ao Mosteiro dos Jerónimos e uma visita ao Presidente da República, no dia 11 de manhã. E tem marcado um encontro com o mundo da cultura, dia 12 às 10.00, no Centro Cultural de Belém.

"Até parece que não há mais sítio nenhum em Lisboa. São logo dois dias. Em Portugal é oito ou 80, já sei que vai ser 80 e ninguém vai poder circular", protesta Angelino Oliveira, proprietário dos restaurante Adamastor e Jerónimos, na rua de Belém.

Mesmo em frente ficam os célebres Pastéis de Belém. Miguel Clarinha, sócio-gerente, espera que possam igualar o número de pastéis vendidos durante a Meia Maratona de Lisboa, 50 mil unidades, e que é um recorde.

Na hotelaria, Francisco Jorge da Silva, assistente de direcção do Jerónimos 8, diz que "se sente alguma melhoria. E sublinha: "Claro que a expectativa é alta, mas sobretudo em relação à ocupação futura. Lisboa vai ter uma grande visibilidade, o que pode trazer mais turistas."

O Terreiro de Paço, onde se realizará missa às 18.15 no dia 11, é outro dos pólos de atracção. O quadrado de edifícios é ocupado por ministérios, e os Correios não sabem se fecharão. Já o Martinho da Arcada vai estar fechado, garante António de Sousa, o proprietário. "Encerramos ao domingo, mas nessa semana vamos encerrar na terça-feira."

Carlos Pinto, 60 anos, dono do Solar dos Bicos, ao lado da Casa dos Bicos, vai abrir o salão. É a sua menina-dos-olhos, mas habitualmente está fechado. "Tenho uma reserva de 150 pessoas de Fátima. Só espero ter gente para trabalhar. Pago 750€/mês e nem assim querem", lamenta-se. Tem sete empregados e já convocou mais seis.

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