Muitos casais deixam de passar tempo a dois a partir do momento em que são pais. Nada mais errado e, diria mesmo, perigoso para a saúde da relação conjugal..Quando nasce um filho, o casal tem de reajustar e redefinir os seus papéis, pois passam agora a ser parceiros e, ao mesmo tempo, pais, iniciando uma nova etapa no seu ciclo de vida familiar. E é neste contexto que, não raras vezes, os pais colocam a conjugalidade como a última das suas prioridades, depois dos filhos, do trabalho, da casa, da família....As relações de casal não se mantêm saudáveis só porque sim. Para além do amor, existem outros pilares fundamentais para uma relação gratificante, como a tolerância, a capacidade de escuta, a aceitação das diferenças, o compromisso, a intimidade e o respeito. A reserva de algum tempo apenas para o casal é, a par destes, também um pilar muito importante que contribui para o fortalecimento dos laços afetivos..Mas, o que leva tantos casais a deixarem de ter um tempo privilegiado apenas a dois? Para muitos deles, é a culpa e o medo. A culpa de deixarem os filhos com terceiros (nem que esses terceiros sejam os avós, que os inundam de mimo extra) e o medo de poderem ser percecionados (pelos filhos ou pelos outros) como maus pais. Em outros tantos casais, observa-se uma ideia (distorcida) de que ser pai/mãe é sinónimo de abnegação, de anulação ou mesmo de sacrifício pessoal..Convém lembrar que o ajustamento e bem-estar das crianças depende também do bem-estar e da felicidade dos pais. Isto significa que pais felizes e satisfeitos nos vários domínios da sua vida vão sentir-se, necessariamente, mais disponíveis e ser mais sensíveis para com os seus filhos. Ou, dito de outro modo, as crianças precisam de pais que se sintam bem e realizados em todas as esferas da sua vida. Por isso, é tão importante o tempo a dois. E quando falamos neste tempo, não tem de ser, necessariamente, um tempo de férias. Pode ser um tempo para conversar, ver um filme, passear ou fazer qualquer outra atividade que gere prazer. Se for um tempo de férias, tanto melhor!.As relações de casal são, como dizia um casal que acompanhei em tempos, como as plantas, que precisam de cuidados diários e, de vez em quando, de uma mudança de terra. A pessoa de quem gostamos não deve ser vista como um dado adquirido e é fundamental dedicar tempo exclusivo e atenção extra à relação de casal. Sem filhos..Psicóloga clínica e forense, terapeuta familiar e de casal