Fenómeno mais vísivel ocorre tarde

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Na noite de 27 para 28 teremos mais um eclipse total da Lua. Infelizmente, a parte do fenómeno que atrai mais atenções ocorre bastante tarde. O aspecto mais marcante de um eclipse total do nosso satélite é ver a superfície lunar ir sendo atingida pela sombra da Terra e desaparecer a pouco e pouco. Depois, quando se esperaria o clímax que seria o desaparecimento total da Lua, esta volta-se a ver - com uma cor espectacular.

A Lua gira em torno da Terra e esta em torno do Sol, pelo que por vezes os três corpos ficam em linha recta. Se não houvesse uma diferença da ordem dos cinco graus entre os planos das duas órbitas, como há, e essas órbitas ocorressem no mesmo plano, todas as vezes que estivesse lua cheia haveria um eclipse lunar - e na lua nova um eclipse do Sol.

Outro aspecto muito importante na ocorrência de eclipses resulta de a Lua estar a uma distância da Terra que faz com que o seu diâmetro aparente seja semelhante ao do Sol. De facto, a Lua é muito menor que o astro-rei, mas em compensação está muito mais perto. A melhor prova de que esses diâmetros aparentes são idênticos é que quando conseguimos ver a nossa estrela através das nuvens, temos a sensação de estar a ver uma lua cheia. Curiosamente, o diâmetro aparente da Terra vista da Lua é muito maior. Durante o que para nós é um eclipse lunar, um astronauta pousado na Lua veria um enorme disco negro a tapar lentamente o astro-rei: um longo eclipse total do Sol.

Vejamos a razão da estranha cor da Lua durante a fase de totalidade. O nosso planeta está rodeado por uma atmosfera, pelo que, quando atinge a Terra, a luz solar é desviada (por isso consegue atingir a Lua) e modificada. Essa modificação deve-se ao facto de a luz do Sol ser composta por diferentes comprimentos de onda (que podemos ver separados no arco-íris) e ao facto de aqueles que têm esse comprimento menor - que vemos como azul ou violeta - serem muito absorvidos pelas poeiras atmosféricas. Como a coloração da luz é o resultado da mistura de todos os seus comprimentos de onda (ou cores), com a remoção dos vizinhos do azul sobejam os que correspondem aos vermelhos, ou seja, a Lua vai ser atingida pelos comprimentos de onda mais longos (os do vermelho). Situação não muito diferente acontece na superfície da Terra ao anoitecer ou na alvorada.

Em épocas de grande actividade vulcânica no planeta, a atmosfera fica mais carregada de poeiras, a absorção da luz é mais acentuada e a Lua quase deixa de se ver.

* Astrónomo

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