Se a estrutura de missão da Faro Capital Nacional da Cultura (FCNC) 2005, presidida por António Rosa Mendes, tivesse apresentado atempadamente, em 2004, uma candidatura no valor de dois milhões de euros ao Programa Operacional da Cultura (POC), teria havido dinheiro suficiente para uma "boa e eficaz" promoção do evento, o grande problema com que este se debate, levando a que os espectáculos já realizados tenham ficado muito aquém das expectativas, a nível de participação do público.. Esta foi a convicção manifestada ontem, em Faro, pelo secretário de Estado da Cultura (SEC), Mário Vieira de Carvalho, segundo quem a referida candidatura previa um montante de 500 mil euros para 2004, "destinados precisamente à promoção e divulgação das iniciativas". Como a candidatura "não foi apresentada de forma correcta, essa verba está irremediavelmente perdida", adiantou o secretário de Estado aos jornalistas, no final da assinatura de um protocolo entre o Instituto do Cinema, Audiovisual e Multimédia (ICAM) e a FCNC, ressalvando, contudo, que a responsabilidade da situação não pode ser imputada a Rosa Mendes, mas sim à mudança de comissário a meio do processo e a toda a instabilidade que daí adveio.. Rosa Mendes explicou que foi apresentada poucos dias antes da inauguração da FCNC, em finais de Abril, uma "mera intenção de candidatura", já que "era necessário todo um complexo trabalho burocrático de apresentação de orçamentos detalhados e pareceres, o qual não podia ser preparado pela estrutura de missão, devido à carência de recursos humanos". "Esse trabalho foi entregue a uma empresa, devendo a candidatura ser apresentada nos próximos dias", adiantou. O SEC garantiu que a gestora do POC está "empenhada em colaborar com a estrutura de missão, para que rapidamente os 1,5 milhões de euros da candidatura farense reforcem o orçamento de 5,2 milhões já atribuído à FCNC". Resta saber quando chegará à capital algarvia esse reforço orçamental, do qual um milhão de euros são para investir este ano, estando os restante 500 mil destinados ao encerramento do evento. O pior é que dessa verba nenhuma fatia poderá ser retirada para reforçar a promoção. A Rosa Mendes cabe-lhe, assim, a tarefa "muito difícil" de gerir, para o efeito, uma verba de 300 mil euros que sobrou dos montantes destinados à programação. "É manifestamente pouco, uma quantia irrisória, que não vai dar para quase nada", sustentou.. Outro desaire é a recusa do MC de prolongar até 2006 a iniciativa. O SEC, afirmou, peremptório, a este propósito, que "a prioridade do Governo é valorizar o mais possível a FCNC", em detrimento de um "prolongamento artificial". É nesse âmbito que se vão realizar no Algarve dois importantes encontros mundiais - um, em finais de Outubro, dos ministros da Cultura de 100 países, e outro, dos responsáveis pela área do cinema dos países de expressão oficial portuguesa. "São investimentos consideráveis que darão muito mais relevo e projecção a Faro do que mais dois ou três meses de iniciativas", advogou.