Perto de 17 milhões de euros de dívidas ao Estado (Segurança Social, Finanças), meio milhão de euros de vencimentos por pagar a jogadores, referente à época de 2002/2003, funcionários com dois meses de ordenados em atraso e o espectro de, tal como aconteceu no ano transacto, ter que recrutar a equipa de futebol júnior para disputar na III Divisão nacional. É este o actual cenário do Farense, um clube quase centenário que militou, ao longo da sua história, durante dois grandes períodos, no principal escalão do futebol português (primeiro entre 1969 e 1976, e depois de 1984 a 2001), contando, no seu palmarés, com uma final da Taça de Portugal, que perdeu para o Estrela da Amadora, não podia ser mais negro..Gomes Ferreira, o responsável máximo da instituição algarvia, reconhece que os problemas que a mesma atravessa são "penosos", afirmando "compreender perfeitamente" a desmotivação da massa associativa, que na década de 90 contava com mais de 5000 elementos, número que hoje não chega ao milhar. E o pior, segundo admite, é que "vão passar alguns anos, não menos de cinco, para que o clube mitigue as suas dívidas, encetando, assim, a escalada ascendente que lhe dará acesso aos patamares a que tem direito, nomeadamente a sua presença nos campeonatos da I Liga"..Para já, o Sporting Clube Farense precisa de arranjar "com a maior urgência", meio milhão de euros para poder inscrever a equipa que irá disputar a III Divisão Nacional, escalão para onde o clube desceu na última época. Essa quantia respeita a vencimentos não pagos a jogadores na época de 2002/2003, os quais accionaram processos no Tribunal de Trabalho e posteriormente na Comissão Arbitral Paritária, que impediram o clube de fazer qualquer inscrição até à regularização dos montantes. Um impedimento vivido no início da época passada (a dívida era de 300 mil euros e só em Outubro o clube conseguiu inscrever jogadores), e que volta a repetir-se agora..Para Gomes Ferreira, tendo em conta a "incapacidade do tecido empresarial algarvio para disponibilizar tanto dinheiro, mesmo que a título de empréstimo", a única solução possível passa pela aprovação do Plano de Pormenor do Largo de São Luís, que integra o estádio e restantes equipamentos desportivos do Farense, e que permitirá ao clube encaixar alguns milhões de euros. .O projecto, que contempla, numa primeira fase, a construção de edifícios de quatro pisos na bancada nascente e vários parques de estacionamento subterrâneos - que abrangem também o relvado (o qual vai ser levantado e renovado) - com capacidade para um total de 700 viaturas, deverá arrancar no deste mês..A outra tábua de salvação do clube - a construção de um posto de abastecimento de combustíveis, num terreno doado pela autarquia ao Farense - está mais longe de ser encontrada, já que aquela doação foi objecto de providência cautelar apresentada por um grupo de moradores de uma urbanização situada na zona, estando o processo no Tribunal Administrativo de Loulé..Os dois projectos, a concretizarem-se, encheriam com quatro a cinco milhões de euros os cofres do Farense. Com o relvado renovado, o clube poderá também, de acordo com Gomes Ferreira, "realizar espectáculos no Estádio de São Luís". Tal consistiria num "importante sustento" para uma instituição que se encontra à beira da falência.