Os dois cantores, Tony e Mickael, acusam o festival de não defender os artistas .Noite fria em Ponte de Lima. No palco, Mickael Carreira leva à histeria uma plateia de fãs. São sobretudo raparigas, adolescentes que vibram com letras que falam de amor e ciúme, cantadas por um rapaz de um metro e noventa, jeans rasgados, camisa aberta no peito, ténis e cinto castanho com vistosa fivela "DG". Mickael Carreira canta, sabedor do efeito que tem sobre um público feminino muito jovem. Canta e dança numa coreografia sem erros, mas ignorando a tensão que se vive nos bastidores. E tudo por causa da imagem.."A produção deste festival não foi capaz de garantir a segurança dos artistas que convidou", declarou ao DN Maria José Ribeiro, assessora de imprensa de Tony e Mickael Carreira. Com estas palavras quer justificar a razão pela qual não foi permitida a captura de qualquer imagem destes dois artistas, a não ser durante os três minutos em palco a que a lei obriga. A declaração surgiu depois dos protestos de alguns repórteres de imagem que foram retirados da frente do palco quando filmavam e fotografavam a canção núme- ro cinco do alinhamento do espectáculo, aquela que havia sido designada pelo staff do artista como de livre acesso. Os repórteres não gostaram do excesso de zelo por parte dos seguranças da produção que os mandaram sair três minutos após a primeira nota e antes que a canção terminasse. Maria José Ribeiro garante que essa foi uma decisão da produção e não da comitiva de Mickael Carreira, que fez deslocar para o local segurança própria. As instruções que estes tinham era para só mandar a retirada no fim de Deixa- -me Ser Feliz..A assessora acabava, dessa forma, por explicar aquilo que na noite anterior o próprio Tony Carreira não quis confessar durante uma conversa informal com a imprensa. "Não permitimos imagens porque não sentimos que a produção esteja a proteger os interesses dos artistas presentes nem o tipo de música que eles representam", precisou a assessora que adiantou ainda ter pedido aconselhamento jurídico sobre a melhor forma de proceder nestas circunstâncias..Um dos motivos do desagrado tem a ver com a utilização do adjectivo "pimba" para designar o género musical que compôs o cartaz do festival que terminou ontem. Na opinião de Maria José Ribeiro, a produção, da responsabilidade da produtora Elec3city, quando promoveu o festival, poderia ter sensibilizado os órgãos de comunicação para não usar esse tipo de terminologia. .Tony e Mickael Carreira foram os únicos entre os nove artistas presentes que não falaram à comunicação social nem se disponibilizaram para imagens. Sempre sob escolta e apertada segurança - sobretudo Mickael Carreira, que só saiu do camarim que lhe foi destinado para entrar em palco e dar beijos e autógrafos à longa fila de fãs que o esperava no fim do concerto -, os músicos restrigiram-se às actuações, as duas mais longas e as que encerraram as duas primeiras noites do festival. Tudo sem que o público, que não encheu o recinto, se apercebesse do lití-gio com a organização..Um litígio a que João Quintela, produtor executivo do festival, tenta não dar muita importância. "É uma estratégia", declarou ao DN. Segundo o produtor, Tony e Mickael Carreira "não gostaram de se ver associados a este cartaz que, no entanto, já conheciam desde o início do ano", prosseguiu, numa reacção ao silêncio a que se votaram os dois artistas e às exigências que impuseram à comunicação social. Quanto à falta de empenho na promoção, João Quintela limitou-se a dizer: "Não posso impedir os jornalistas de escreverem o que quiserem. Se eles decidem classificar esta música como 'pimba' o que é que posso fazer? Não foi a designação que escolhemos para o festival. Chamamos-lhe Festival de Música Popular Portuguesa; quisemos fugir ao preconceito. Mais do que isso, seria impossível!"