Falta uma "cadeia de valor" e leis para promover cinema nos PALOP -- cineasta
"Ainda não temos uma cadeia de valor e, consequentemente, entre os PALOP, não temos uma indústria como tal. Infelizmente precisaremos de algum tempo para criar este mercado", disse à Lusa João Ribeiro.
O cineasta moçambicano falava à margem de uma residência artística que juntou seis cineastas dos PALOP em Maputo, numa iniciativa organizada pela União Europeia (UE).
A ausência de leis que incentivem a Sétima Arte é também um desafio.
"Por exemplo, a Lei do Audiovisual e Cinema em Moçambique [aprovada no ano passado] chega muito tarde e, consequentemente, desajustada da realidade", declarou o cineasta moçambicano, observando que é necessária uma maior atenção à dinâmica das artes por parte dos governos nos PALOP.
João Ribeiro entende que iniciativas como o concurso de curtas-metragens que está a ser organizado pela UE são importantes no quadro das ações para dinamizar a indústria cinematográfica.
Para o diretor do filme "Último Voo Do Flamingo", que foi adaptado do livro do escritor moçambicano Mia Couto, os PALOP precisam de espaços que cruzem realidades distintas, num contacto que junte povos que, apesar de serem de culturas diferentes, partilham laços históricos e linguísticos.
"É preciso promover o surgimento de novos cineastas", referiu o realizador, que coordenou a residência artística em que os seis cineastas dos PALOP se juntaram durante pouco mais de uma semana.
Durante a sua permanência, os participantes trocaram experiências e tentaram melhorar as suas produções, num processo que contou com a colaboração do Instituto Nacional do Audiovisual e Cinema de Moçambique.
Para cada um dos trabalhos, um de ficção e os restantes documentários, será disponibilizado um valor de nove mil euros para a rodagem.
O concurso de curtas-metragens decorre âmbito das comemorações do 25.º aniversário do programa de cooperação regional UE-PALOP e Timor-Leste.

