Nas respetivas intervenções, que estão a ser interpretadas pelos 'media' internacionais como críticas diretas à liderança do atual Presidente dos Estados Unidos, Obama pediu aos norte-americanos para rejeitarem uma política de "divisão" e de "medo", enquanto Bush criticou o 'bullying' e o preconceito na vida pública..Trump ainda não comentou as intervenções dos seus dois antecessores na Casa Branca..Durante uma ação de campanha do Partido Democrata em Newark, New Jersey, que marcou o regresso de Barack Obama à arena política, o ex-Presidente, que deixou a Casa Branca em janeiro deste ano, afirmou que o povo norte-americano deve "enviar uma mensagem ao mundo de que está a rejeitar uma política de divisão, de que está a rejeitar uma política de medo"..E acrescentou: "O que não podemos ter é a mesma velha política de divisão que já vimos tantas vezes antes".."Algumas das políticas que vemos agora, pensávamos que já as tínhamos abandonado", disse Obama, considerando mesmo que o país está a sofrer uma regressão de 50 anos. ."Estamos no século XXI, não no século XIX", reforçou..Em outro evento mais tarde, em Richmond, Virginia, Obama voltou à carga e utilizou o mesmo tom crítico: "Temos pessoas que tentam deliberadamente irritar as pessoas, demonizar as pessoas que têm ideias diferentes, para conseguir uma base exasperada porque fornece uma vantagem tática a curto prazo"..Tradicionalmente, os antigos Presidentes preferem não comentar publicamente os seus sucessores na Casa Branca e o próprio Obama afirmou, ao deixar a Sala Oval (gabinete presidencial), que teria essa cortesia, durante um tempo, com Donald Trump, tal como George W. Bush teve com ele..Desde então, Obama já quebrou o silêncio por diversas vezes para falar sobre algumas das decisões assumidas pela administração Trump. Foi o caso dos esforços para desmantelar a reforma do sistema de saúde que ficou conhecida como 'Obamacare', mas também sobre o controverso decreto anti-imigração e o abandono do acordo do clima de Paris..Poucas horas antes, em Nova Iorque, o ex-Presidente George W. Bush também fazia uma intervenção que pareceu ter como único destinatário o atual Presidente dos Estados Unidos, cujo nome nunca referiu.."A intolerância parece ser encorajada. A nossa política parece mais vulnerável a teorias da conspiração completamente fabricadas", alertou George W. Bush, que foi Presidente dos EUA de 2001 a 2009.."A intolerância em todas as suas formas é uma blasfémia ao credo americano, que diz que a identidade da nossa nação depende da passagem de ideais cívicos à próxima geração", prosseguiu o ex-Presidente republicano, que recusou publicamente votar em Trump nas eleições presidenciais de 2016..George W. Bush, que tem estado afastado da vida política (não compareceu à convenção republicana que nomeou Trump como candidato presidencial do Partido Republicano), reforçou que existem sinais de que "a intensidade de apoio" à própria democracia está a diminuir "especialmente entre os jovens"..O ex-chefe de Estado avisou ainda: "Temos visto nacionalismo distorcido em nativismo, esquecendo o dinamismo que a imigração sempre trouxe à América".