Ex-Presidente Fujimori julgado por corrupção

O antigo presidente peruano Alberto Fujimori começou hoje a ser julgado por corrupção, depois de ter sido condenado em Abril passado a 25 anos de prisão por violação dos direitos humanos entre 1990 e 2000.
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Fujimori, 70 anos, é acusado de desvio de fundos públicos e de fraude pelo pagamento ilegal, em Setembro de 2000, nos últimos meses da sua presidência, de 15 milhões de dólares ao então chefe dos serviços secretos, Vladimiro Montesino, seu colaborador próximo.

Segundo a acusação, esta "compensação por serviços" prestados ao longo de 10 anos foi paga com fundos desviados das Forças Armadas e supostamente destinados a uma operação de segurança para evitar na zona fronteiriça a infiltração da guerrilha colombiana.

Fujimori, que incorre numa pena de oito anos de prisão, vai declarar-se inocente.

Segundo o seu advogado, César Nakasaki, o argumento central da defesa é que não foi causado prejuízo patrimonial ao Estado dado que o dinheiro foi devolvido.

Para além da condenação a 25 anos de prisão, Fujimori já foi condenado no final de 2007 a seis anos de prisão por abuso de poder.

O julgamento, ao longo do qual devem ser ouvidas 28 testemunhas, é presidido por Cesar San Martin, o magistrado que em Abril condenou Fujimori pelo seu papel na morte de civis por um esquadrão da morte em 1991 e 1992.

O veredicto foi saudado pelas organizações de direitos humanos que o consideraram uma lição para os regimes autoritários e uma demonstração de que a justiça acaba por os apanhar.

Os apoiantes do ex-presidente consideraram, por outro lado, que se tratou de um juízo "político". A filha de Fujimori, a deputada Keïko, surge à frente em sondagens recentes sobre intenções de voto para as presidenciais de 2011.

EO.

Lusa

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