"Existe um plano, existe uma conspiração", susteve em entrevista à agência France-Presse (AFP) em Bruxelas, onde reside desde 2017, acusando o ex-vice-Presidente e atual Presidente, Lenin Moreno, de estar "por detrás disto tudo". .Previamente, e num vídeo publicado no seu perfil da rede social Facebook, Correa insistiu que as acusações emitidas e a ordem de detenção preventiva emitida pelo Tribunal Nacional de Justiça equatoriano são "um total absurdo". .O ex-Presidente, que exerceu as funções entre 2007 e 2017, qualificou estas decisões de "grande montagem", mas disse estar convencido que a sua prisão e extradição não irão ocorrer. ."Não vão conseguir a extradição, não vão conseguir a prisão, porque isso jamais será permitido num país com um verdadeiro Estado de direito", afirmou o político residente na Bélgica, para sublinhar que o povo equatoriano não deve preocupar-se com ele, antes "com a pátria e como a estão destroçando". .O Supremo Tribunal aceitou na terça-feira a petição da procuradoria geral de solicitar à Interpol a prisão e extradição de Correa, na sequência de uma medida cautelar que pedia a sua apresentação em Quito até segunda-feira. .No entanto, o ex-líder do país latino-americano decidiu apresentar-se na representação diplomática equatoriana em Bruxelas, num aparente cumprimento da medida cautelar, e denunciou uma perseguição política e mediática. .A juíza Daniella Camacho ordenou a prisão preventiva numa audiência especial em que foram revistas as medidas cautelares impostas ao ex-chefe de Estado em 18 de junho, quando foi associado judicialmente ao caso de tentativa de sequestro do ex-deputado Fernando Balda em Bogotá, em agosto de 2012. ."Fui envolvido num caso sem qualquer prova, na base do testemunho de um polícia que na véspera esteve sete horas com o procurador para aprender a sua lição, e dizendo que o Presidente lhe pediu para sequestrar Balda", assegurou nas declarações à AFP. ."Existe um plano já traçado. Querem envolver-me no processo para que não possa regressar ao meu país antes de sete, oito anos", prosseguiu. Disse ainda duvidar que a Interpol ou a Bélgica aceitem o mandado de captura. .O advogado Christophe Marchand, defensor na Bélgica do ex-Presidente, assegurou hoje à agência noticiosa Efe que não existe "nada em vigor" que permita de momento a sua detenção neste país europeu. .Em fevereiro, os equatorianos aprovaram por referendo um limite do mandato presidencial para impedir Correa de regressar em 2021, um escrutínio que foi encarado como uma vitória de Lenin Moreno na sua luta política contra Correa. .Durante o seu mandato, este último impôs reformas, aumentou as despesas sociais, reduziu os lucros das companhias petrolíferas e suspendeu diversos pagamentos da dívida às instituições financeiras internacionais, que considerava ilegítimos. .Desde a sua eleição em 2017, Moreno tem vindo a desmantelar a herança de esquerda de Correa, e a promover aberturas ao mundo dos negócios e à direita política. .Rafael Correa já recebeu mensagens de apoio de diversos dirigentes latino-americanos, em particular do Presidente boliviano Evo Morales, que rejeitou o pedido de extradição e denunciou uma suposta "politização da justiça equatoriana e ingerência dos Estados Unidos" e uma tentativa para "encarcerar um inocente". .Na Venezuela, o Presidente Nicolás Maduro também se solidarizou através da sua conta na rede social Twitter com o ex-Presidente do Equador e pediu o fim da "perseguição contra os líderes autênticos" da América Latina. ."Primeiro Cristina [Kirchner, ex-Presidente da Argentina]. Depois Lula. Agora Rafael Correa. Que termine a perseguição contra os líderes autênticos da nossa América. A Revolução Bolivariana solidariza-se com o povo do Equador", disse.