Ex-ministro impedido de sair de Timor-Leste

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O ex-ministro do Interior timorense Rogério Lobato está impedido de sair do país. A decisão foi ontem tomada por dois procuradores do Ministério Público de Timor-Leste na sequência da abertura de um inquérito às acusações sobre uma alegada distribuição de armas a civis.

Ao que tudo indica, os dois procuradores receiam que o ex-ministro possa sair do país, evitando ter de prestar declarações no âmbito das averiguações às acusações do "comandante Railós" (nome de guerra de Vicente da Conceição), segundo as quais Rogério Lobato teria armado vários "esquadrões da morte" com o objectivo de eliminar adversários políticos da Fretilin e do primeiro-ministro, Mari Alkatiri.

Confrontado pelo DN com a decisão dos procuradores António Osório e Luís Mota Carmo, Rogério Lobato foi peremptório: "Não é verdade que tenha tentado fugir do país. Depois de ouvir as declarações de "Railós", estou pronto para colaborar com os investigadores a fim de se apurar a verdade nas acusações que me são imputadas."

Uma declaração feita ao princípio da tarde em Lisboa (já noite em Díli), e que pôs termo a mais um dos boatos em que Timor-Leste é fértil: o de que Rogério Lobato teria sido impedido de abandonar a capital quando procedia já ao check-in em pleno aeroporto. Que, por sinal, ostenta o nome do seu irmão Nicolau, primeiro presidente da Fretilin, antigo presidente da República e um dos grande heróis da resistência timorense.

Só que o ex-ministro do Interior não terá tentado sequer sair do país, mantendo-se por casa, como o DN constatou. Sempre que bateu à sua porta, no bairro do Farol, os guardas respondiam que Rogério Lobato não estava. Até que um deles se enganou, e entrou na residência para transmitir ao actual vice-presidente da Fretilin que estava um jornalista à sua espera. Mas, entretanto, surgiu um outro guarda que manteve a versão inicial, apesar de o número de carros estacionados à porta do ex-ministro parecer indiciar o contrário.

Minutos depois, o DN conseguiu, finalmente, entrar em contacto telefónico com Rogério Lobato. Numa altura em que o mandado dos dois procuradores - que terá surpreendido o próprio procurador-geral da República de Timor-Leste, Longuinhas Monteiro - já fora comunicado a todos os postos fronteiriços do país.

Com ou sem razão, já que em Timor-Leste tudo parece ser sempre relativo, não é de excluir, no entanto, que os rumores em torno da suposta fuga de Lobato estejam relacionados com a reunião do Conselho de Estado que hoje se efectua em Díli para debater a alegada distribuição de armas por civis. Um tema que poderia ser usado por quem tenta forçar o Presidente Xanana Gusmão a demitir Alkatiri. * Com João Pedro Fonseca, em Díli

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