O Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN), que integra o Hospital de Santa Maria, ainda não conseguiu resolver a questão da direção do Serviço de obstetrícia, depois da demissão do Diretor do Departamento de Obstetrícia-Ginecologia e Medicina de Reprodução, Diogo Ayres Campos, por divergências com o Plano de Reorganização para a área de Obstetrícia na região de Lisboa, aprovado pela Direção Executiva do SNS e apoiado pela administração do CHULN, e da diretora do Serviço de Obstetrícia, Luísa Pinto..Demissões que têm levado a protestos, como o cordão humano realizado na manhã de ontem, a cartas enviadas ao Conselho de Administração (CA), exigindo a reintegração dos dois médicos e até a um pedido ao ministro da Saúde para que intervenha na situação. No entanto, o hospital mantém a sua decisão, tendo optado por dar a direção do serviço de obstetrícia, de forma interina, ao diretor do serviço de ginecologia, Alexandre Valentim Lourenço, e por convidar, de novo, Luísa Pinto, para o cargo, ficando o diretor clínico, Rui Tato Marinho, a assegurar interinamente a direção do Departamento de Obstetrícia-Ginecologia e Medicina Reprodutiva, enquanto corresse o processo de manifestação de interesse para este cargo.. No entender do hospital, esta seria a forma de manter a estabilidade das equipas, mas a médica respondeu agora ao convite do CA do CHULN dizendo não estar disponível para aceitar a recondução, mas propôs uma outra solução.. Em carta enviada à administração de Santa Maria, à qual o DN teve acesso, Luísa Pinto explica: "Depois de refletir ponderadamente sobre a proposta para voltar a assumir a Direção interina do Serviço de Obstetrícia e depois de consultar alguns elementos com responsabilidades no Serviço/Departamento, venho trazer uma proposta que surgiu com naturalidade dentro da própria equipa, a qual seria: "Eu assumir a responsabilidade como diretora interina da Obstetrícia e do Departamento, até abrir concurso para manifestação de interesse para os referidos cargos""..A médica justifica esta posição com o facto de o Departamento de Obstetrícia-Ginecologia e Medicina de Reprodução necessitar de "uma direção de Departamento com conhecimento clínico da especialidade e capacidade de interferir em diversas áreas técnicas, pelo que, a opção do Prof. Tato Marinho ficar transitoriamente na Direção de Departamento, e não querendo de forma nenhuma ser ou parecer desrespeitosa", não lhe parecer ser "a melhor solução no contexto atual.". Segundo a ex-diretora de obstetrícia, esta solução seria a que "permitira que o departamento continuasse o seu trajeto de excelência clínica e científica" e não estando, "de certa forma, a pactuar (tanto) com a injustiça que nos foi feita (a mim e ao Prof. Diogo Ayres de Campos) e de não ter de trabalhar sob a chefia do Dr. Alexandre Lourenço (ainda que eu, como já perceberam, não tenha nenhuma ambição a cargos de direção)".. Luísa Pinto dá ainda conta nesta missiva que "a maioria da equipa está confortável com esta opção", sendo também uma forma de se poder "aproximar a Obstetrícia da Ginecologia, que têm estado muito de costas voltadas", acreditando que assim se resolveriam "questões relacionadas com a urgência, com o internato da Especialidade e com a Unidade de Medicina da Reprodução". No entanto, a médica diz entender caso o CA do CHULN não concorde com esta solução, mostrando-se disponível para dialogar pessoalmente. O DN apurou junto do hospital não haver ainda data para a abertura de concurso para a direção de departamento.. O Plano de Reorganização para a área de Ginecologia-Obstetrícia aprovado pela Direção Executiva do SNS estabelece o enceramento do bloco de partos de Santa Maria, devido a obras de vulto, a partir de 1 de agosto. As grávidas ali acompanhadas deverão ser transferidas para o Hospital São Francisco Xavier ou para unidades privadas no momento do parto..De acordo com informações disponibilizadas pelo hospital, desde o dia 2 de julho que foram realizados 56 partos ainda naquele bloco, havendo a necessidade de encaminhamento de sete grávidas para unidades privadas. Em relação às obras, estas deverão ter início em setembro, prolongando-se até março do próximo ano..(Texto atualizado às 18:00)