Estamos a caminho de um momento importante para a nossa democracia. As eleições de 30 de janeiro poderão redefinir o espectro político da direita portuguesa..Por um lado, temos os partidos tradicionais com uma redefinição de lideranças e com uma crise de identidade que vai levar a algum reposicionamento dos seus eleitores..Por outro, os novos partidos, que surgiram com soluções mais radicais em alguns temas, tornam-se apelativos para quem se não revê na imagem actual daqueles partidos e assim tornam-se o porto de abrigo desses eleitores descontentes..Na minha perspectiva estas eleições não têm, para a direita portuguesa, uma oferta motivadora e credível que seja suficiente para justificar uma nova escolha: uns porque estão descaracterizados e outros porque não apresentam uma solução global para a sociedade, mas tão só para uma parte dos problemas..Para mim uma sociedade tem que se basear nos seguintes princípios e valores:.- Os princípios do Bem Comum, do Destino Universal dos Bens, da Subsidiariedade, da Participação e da Solidariedade;.- Os valores da Verdade da Liberdade e da Justiça..Preconizo uma sociedade baseada na Pessoa e que defende o direito à vida, o direito a viver numa família unida e num ambiente moral favorável ao desenvolvimento da própria personalidade, o direito a maturar a sua inteligência e liberdade na procura e no conhecimento da verdade, o direito a participar no trabalho para valorizar os bens da terra e a obter dele o sustento próprio e dos seus familiares, o direito a fundar uma família e a acolher e educar os filhos segundo as suas convicções e o direito à liberdade religiosa, entendida como direito a viver na verdade da própria fé e em conformidade com a dignidade transcendente da pessoa..Isto significa que acredito numa sociedade tolerante e inclusiva, respeitadora da liberdade de todos e que acredita na pessoa humana e no seu desenvolvimento sempre na busca de felicidade. Acredito numa economia de criação de riqueza destinada a ser partilhada por todos através de uma sociedade participativa em que todos são parte e todos são beneficiários..Acredito num salário digno e na inclusão e participação de todos na empresa..Acredito numa economia social de mercado, numa economia de liberdade, mas com intervenção social para evitar os desajustes que se têm verificado no Mundo..Acredito no direito à propriedade privada, mas sempre na perspectiva da sua contribuição para o bem comum..Acredito na preservação da natureza ao serviço da humanidade..Não acredito na permissividade que tem substituído a tolerância e sou completamente contrário ao politicamente correcto..Por tudo isto, porque sou cristão e democrata, sou democrata cristão..E, apesar de ver que quem defende a democracia cristã no nosso país tem andado mais distraído com a discussão do "quem" antes do "o quê", acredito que é fundamental manter uma referência desta forma de pensar e desta forma de viver. E isso só será possível se se mantiver um partido com estas referências..Hoje discute-se lideranças e quem defende melhor estes princípios e valores, mas eu preocupo-me mais em defender esses valores, independentemente de quem vai estar a defendê-los. Se quem hoje lá estiver não for capaz outro virá para o tentar. Mas se esse partido acabar, esse outro não terá como o fazer..Também já outros tentaram e falharam, também muitos que podiam ter lá estado não o fizeram. Hoje não é o futuro, mas é o momento para o preparar..E eu não quero um futuro sem democracia cristã.. bruno.bobone.dn@gmail.com