Estudo: profissionais são o melhor do SNS. Vídeo em direto

Estudo sobre Sustentabilidade e Qualidade da Saúde em Portugal é apresentado esta terça-feira numa conferência na 8ª Conferência Abbvie/TSF/DN no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.
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O Índice de Sustentabilidade da Saúde em Portugal caiu no ano passado 2,3 pontos. Estes números, que podem parecer negativos, são, na verdade positivos e devem-se ao aumento do investimento na área e farão parte de um estudo revelado esta terça-feira na 8ª Conferência Abbvie/TSF/DN que decorrerá no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, com a presença da Ministra da Saúde e das principais entidades do sector.

Segundo o estudo da Universidade NOVA-IMS Information Management School, o Índice de Saúde Sustentável baixou dos 103.0 pontos para os 100.7 devido ao aumento da despesa (2,9%) mas também devido à redução da qualidade técnica no Serviço Nacional de Saúde (SNS), que diminuiu 2,7. Este último parâmetro foi validado e ponderado por um grupo de peritos que analisou 13 indicadores referenciais como percentagem de fraturas da anca, mortalidade por AVC, cirurgias em ambulatório, etc.

"Houve de facto um aumento da despesa e uma ligeira diminuição da qualidade do SNS, que acabaram por ditar a redução do índice de sustentabilidade da saúde. No entanto, olhando para os vários parâmetros que compõem este índice, existem também aspetos francamente positivos como a redução da dívida do SNS, o aumento da atividade e uma qualidade percecionada pelos utentes que se mantém estável", explica o professor catedrático Pedro Simões Coelho, professor da NOVA IMS e coordenador principal do projeto Índice de Saúde Sustentável.

Portugueses faltaram seis dias ao trabalho em 2018

Cerca de metade do valor investido no Serviço Nacional de Saúde (SNS) em 2018 retornou à economia devido ao impacto positivo dos cuidados de saúde no absentismo laboral e na produtividade dos portugueses - que se podem valorar em 3,4 mil milhões de euros. Em média, os portugueses faltaram quase seis dias ao trabalho no ano passado, mas por outro lado a prestação de cuidados de saúde através do SNS permitiu evitar a ausência laboral de outros dois dias.

"Estes números comprovam que o SNS tem um impacto extremamente positivo quer no absentismo laboral, como na produtividade, permitindo não só poupanças significativas, mas também um importante retorno para a economia nacional", salienta Pedro Simões Coelho. Considerando o impacto dos valores envolvidos por via dos salários e a relação entre a produtividade/ remuneração do trabalho (valores referência do INE), é possível concluir que os cuidados prestados pelo SNS permitiram um retorno para a economia que ronda os 5,1 mil milhões de euros.

Profissionais são o melhor do Serviço Nacional de Sáude

Realizado desde 2014 este estudo desenvolveu agora, pela primeira vez, um índice de atuação preferencial, que resulta da avaliação que os utentes fazem dos determinantes da qualidade dos cuidados de saúde e da importância que atribuem a cada um deles. Os profissionais de saúde representando na ótica dos utentes o ponto mais forte do SNS com uma avaliação de 78,3, na escala de 1 a 100.

O estudo realça também o incremento da satisfação e confiança dos utentes e o aumento considerável da atividade do SNS em 2,5%, o nível mais elevado dos últimos quatro anos. Por outro lado, a facilidade de acesso aos cuidados (59 pontos) e os tempos de espera entre a marcação e a realização de atos médicos (54 pontos) são encarados como os dois aspetos mais negativos.

Apesar de existirem mais críticas em relação à adequação dos preços, nomeadamente do preço das taxas moderadoras (27% dos inquiridos consideram-nas inadequadas vs 24% em 2017), a atividade não realizada devido aos custos baixou. Em 2018, devido aos custos das taxas moderadoras terão ficado por realizar 503.749 episódios de urgência, valor que no ano anterior ultrapassava os 900 mil.

Se às taxas moderadoras se acrescentarem também as despesas de deslocação, a conclusão é idêntica: os custos têm cada vez menos impacto. No caso da consulta externa/especialidade num hospital público, por exemplo, não foram realizadas 637.132 consultas, valor que representa uma redução de 3,4% na atividade perdida face a 2017, ano em que ficaram por realizar mais de um milhão de consultas.

Em jeito de conclusão foi também avaliado o índice global do estado de saúde dos portugueses, que se encontra nos 74,4 pontos - numa escala de 0 a 100, em que 100 corresponde ao estado de saúde ideal. Se a este índice fosse retirado o contributo do SNS, o valor ficaria apenas pelos 54,6 pontos.