Estados Unidos acusam governo camaronês de "assassinatos seletivos"

Os Estados Unidos acusaram hoje o governo camaronês de estar a levar a cabo "assassinatos seletivos" em regiões problemáticas do país e culparam os separatistas armados da minoria anglófona pelo homicídio de polícias e rapto de funcionários públicos.
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Num comunicado enviado à agência noticiosa AFP, o embaixador dos Estados Unidos nos Camarões afirma que "da parte do governo, houve assassinatos seletivos, detenções sem acesso a apoio legal, à família ou a Cruz Vermelha, incêndios e pilhagens de aldeias em regiões de língua inglesa do noroeste e sudoeste do país.

Peter Henry Barlerin, cujo texto foi divulgado após um encontro com o chefe de Estado dos Camarões, Paul Biya, na quinta-feira, também acusou os separatistas de assassinarem polícias, raptarem funcionários e incendiarem escolas.

Nas regiões Noroeste e Sudoeste, os combates entre as forças de segurança camaronesas e os homens armados que afirmam ser as "forças de restauração" de um Estado anglófono que emergiu brevemente entre as duas guerras mundiais, tornaram-se quase diários.

Inicialmente confinados a ataques contra os símbolos do estado (esquadras de polícia), os separatistas começaram no início de 2018 a ameaçar raptar funcionários e francófonos e a atacar empresas estrangeiras que acusam de apoiar Yaundé.

O governo central respondeu com uma forte mobilização de forças de segurança nas duas regiões de língua inglesa do país (num total de dez).

"Ambas as partes envolvidas no conflito se envolveram em uma retórica que desumaniza o outro lado", disse o embaixador dos EUA, pedindo ao presidente que "use a sua liderança para encorajar as duas partes a escutarem-se".

De acordo com o International Crisis Group (ICG), pelo menos 120 civis e pelo menos 43 membros das forças de segurança foram mortos desde o final de 2016, desconhecendo-se o balanço de vítimas do lado separatista.

Cerca de 160 mil pessoas fugiram de suas casas devido à violência, segundo a ONU, e 34 mil fugiram para a Nigéria, segundo a Agência Nigeriana de Gestão de Emergências (Sema).

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