O Estado gastou cerca de 565 milhões de euros com a diabetes durante o ano de 2008, segundo dados do Observatório Nacional de Diabetes, adiantou o presidente da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP). Verba que representa um ligeiro crescimento face ao ano anterior e da qual 427 milhões se referem a despesas de internamento hospitalar..Num País em que cerca de 905 mil pessoas são diabéticas, embora quase metade não saiba que o é, estas são despesas consideradas preocupantes. Segundo Luís Gardete Correia, "em 2008 as despesas com insulina ascenderam a 29 milhões de euros e 427 milhões são gastos de internamento". A esta verba juntam-se ainda, por exemplo, mais 36 milhões de euros com medicamentos tira-testes..Relembre-se que, segundo a Organização Mundial de Saúde, a diabetes é a quarta causa de morte na maioria dos países desenvolvidos e a cada 10 segundos morre uma pessoa vítima da doença.O estudo de prevalência da diabetes em Portugal, cujos dados foram colhidos entre Janeiro de 2008 e Janeiro de 2009, aponta para a existência, na faixa etária dos 20 aos 79 anos, de 905 mil pessoas com diabetes, das quais 43,6% não sabem que são portadoras desta doença crónica. Com "Pré-Diabetes" foram detectados perto de 1,8 milhões de portugueses..O próximo objectivo é agora estender a caracterização à restante população, mais concretamente às crianças e jovens. Segundo Rosa Pina, da APDP, em 2003 estimava-se a existência de 1500 casos de crianças com diabetes na faixa etária até aos 14 anos..Porém, segundo Luís Gardete Correia, o excesso de peso, associado ao crescente sedentarismo dos mais novos, e o surgimento de novos casos de diabetes do Tipo 2 - que são mais frequente entre os adultos - são alguns factores que preocupam os especialistas..Isabel Palma, assistente do Serviço de Endocrinologia do Hospital de Santo António, no Porto, reforça essa ideia com o exemplo da realidade neste serviço. "Neste momento temos casos de miúdos com 12 ou 13 anos e que já têm diabetes do Tipo 2, muito por causa da obesidade", refere..Embora admita desleixo das pessoas "e que os próprios centros de saúde têm papel importante na chamada de atenção para os factores de risco", o presidente da APDP defende mudança de hábitos, sobretudo entre os mais jovens, e desafia as próprias câmaras a colaborar. "As autarquias devem assumir um papel importante, organizando torneios desportivos, como já sucede no estrangeiro"..Isabel Palma também defen- de a necessidade de realizar exercício físico e sugere que se dê "dez mil passos por dia". "Basta comprar um conta-passos, que é barato, e os miúdos até gostam de andar com aquilo no cinto", explica.