Estado de alerta em Jerusalém Leste

Polícia quis impedir protestos na inauguração de sinagoga histórica no bairro judeu da Cidade Velha
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O Governo israelita anunciou, ontem, a manutenção do estado de alerta em Jerusalém Oriental e a proibição, pelo quarto dia consecutivo, do acesso à Esplanada das Mesquitas aos muçulmanos com menos de 50 anos. Em causa, o receio de um protesto dos palestinianos contra a inauguração da sinagoga Hurva, no bairro judaico.

Micky Rosenfeld, o porta-voz da polícia israelita, avançou que 2500 polícias e guardas-fronteiriços tinham sido posicionados na Cidade Velha e em volta desta para impedir qualquer acção violenta. Disse ainda que o acesso à Esplanada das Mesquitas, lugar santo do islão, estava interdito não só aos muçulmanos com menos de 50 anos mas também a todos os "visitantes de outras religiões".

Mas o dia chegou ao fim sem que se tenha registado qualquer problema na Cidade Velha. E, assim, ao fim da tarde, centenas de pessoas participaram na inauguração oficial da sinagoga Hurva (Ruína) para onde, na véspera e em procissão e ambiente festivo, já haviam sido levados os rolos da Torah. Situada no bairro judeu da Cidade Velha, a sinagoga Hurva foi construída em 1694 e tornou-se num dos principais locais de culto dos judeus na Palestina histórica. Destruída 26 anos depois pelos otomanos, só é reconstruída em 1864 e transforma-se no centro da vida judaica na Jerusalém do fim do século XIX. Após a criação do Estado de Israel, em 1948, a sinagoga é destruída pelos jordanos.

A reconstrução da Hurva, 43 anos após a Guerra dos Seis Dias que leva à conquista da Cidade Velha por Israel, custou 15 milhões de euros, grande parte das quais proveniente da diáspora.

E enquanto a sinagoga era inaugurada sem violência, apenas com o protesto verbal de responsáveis palestinianos, a alguns quilómetros do local, junto a uma das entrada da cidade de Ramallah, na Cisjordânia, a situação era bem menos calma. Dez estudantes palestinianos ficaram feridos, dois deles por balas reais, em confrontos com militares israelitas. Os estudantes da universidade de Bir Zeit protestavam contra a colonização em Jerusalém Oriental.

O anúncio da construção de casas para colonos em Jerusalém Oriental está na origem da actual crise diplomática entre Israel e os EUA - a mais grave dos últimos 35 anos, dizem os analistas. Ontem, responsáveis da Administração Obama afirmavam, por um lado, que Israel continua a ser um aliado estratégico dos EUA mas exigiam, em simultâneo, uma resposta "formal" do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu no que se refere à colonização.

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