A indústria portuguesa da pedra natural vai ter grandes dificuldades em resistir à concorrência espanhola, depois de 63 empresas do país vizinho, muitas com grandes interesses em Portugal, se terem fundido numa só - o Grupo Levantina. Fontes do sector ouvidas pelo DN admitem que a megafusão, que reuniu capital de risco no montante de 500 milhões de euros, poderá gerar "graves problemas de competitividade", recomendando ao Governo que "comece já a pensar em soluções"..O Grupo Levantina, que se dedica à exploração, transformação e comercialização de pedra natural, conta nos seus activos com a mais importante jazida de mármore creme-marfim, a que junta mais 72 explorações - 42 de mármore e 30 de granito - em vários pontos do mundo, a par de 16 fábricas de transformação de pedra em Espanha e Brasil e mais 31 armazéns, alguns dos quais em Portugal. O grupo, que dá emprego a duas mil pessoas, tem uma facturação consolidada de 330 milhões de euros..Números expressivos que "devem deixar o nosso Governo a pensar já numa eventual resposta, apostando em algo parecido ao que se fez em Espanha, ou em outra solução qualquer", admite João Saúde, presidente do Centro Tecnológico para o Aproveitamento e Valorização das Rochas Ornamentais (Cevalor). ."Esta fusão, sob o pretexto de uma reestruturação das empresas espanholas, deu ao grupo muitos recursos, o que poderá possibilitar a fabricação de mais produtos e a preços mais baixos. Aí, sim, o nosso mercado poderia ser afectado interna e externamente", alerta..Os novos desafios que se colocam à pedra natural portuguesa "obrigam", defendem os industriais, a apostar em novas abordagens comerciais, investindo, por exemplo, na componente do design, para fazer frente à forte concorrência assente no preço. .O futuro do sector passa também por saber tirar partido do alargamento da União Europeia, conquistando novos mercados, como a Polónia, Hungria e República Checa. A Alemanha, que já foi um importante destino da pedra natural portuguesa, é igualmente um mercado de exportação apetecível..Há também alguns pontos fracos que tornam o sector mais vulnerável no nosso país, avisam os especialistas contactados pelo DN: défice de estratégia comercial e a ausência de novos produtos inovadores, a fraca formação empresarial e baixa qualificação dos recursos humanos, a que se juntam a pouca propensão para o associativismo e a reduzida dimensão das empresas, que dificultam a sua internacionalização..Para conseguir ultrapassar a forte concorrência, sobretudo da Ásia e de produtos substitutos da pedra (com preços muito mais baixos), Portugal tem de apostar em novos mercados, defendem as mesmas fontes, apostando no estabelecimentos de alianças e parcerias com empresas nacionais e locais, de modo a aumentar a competitividade e a quota de mercado das exportações. C