Esfinge de Gizé está a ser 'retocada'

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A enigmática Esfinge de Gizé, no Egipto, está a ser restaurada. O objectivo é proceder a alguns "retoques" nas partes mais danificadas: o pescoço e o peito daquele que é considerado um dos monumentos mais famosos do mundo.

De acordo com declarações à imprensa internacional do egiptólogo Kamal Wahid, director do Conselho Supremo de Antiguidades do Egipto para a Planície das Três Pirâmides de Gizé, os trabalhos têm como finalidade "a reposição da camada de argamassa de cal e areia" que foi aplicada aquando do projecto de restauração geral da Esfinge de Gizé, entre 1988 e 1997. Os ventos fortes, as tempestades de areia, as variações de temperatura e o clima desértico verificados na planície de Gizé, onde se localiza o monumento, têm contribuído para a deterioração dessa mesma camada.

A areia do deserto, em que a estátua esteve sepultada e que também contribuiu para manter enterrados e em bom estado de conservação muitos monumentos faraónicos, é aliás um dos piores inimigos da Esfinge de Gizé.

No processo de conservação da colossal estátua com cabeça humana e corpo de leão, que só foi inteiramente desenterrada em 1925, apenas vão ser utilizados materiais originários da zona onde ela se encontra localizada.

Os "retoques" no monumento deixam de fora a reconstrução do nariz da Esfinge. Para Kamal Wahid, reparar essa parte do rosto seria "alterar artificialmente" a imagem que o mundo tem da Esfinge.

Recorde-se que o nariz da Esfinge de Gizé foi derrubado pela artilharia dos Mamelucos, que reinaram no Cairo entre os séculos XIII e XVIII, e cujo exército utilizava a estátua como alvo nos exercícios de pontaria.

Com excepção das partes do pescoço e peito que estão a ser reparadas, a Esfinge está em bom estado de conservação, assegura Wahid. "A rocha original, debaixo das partes afectadas pela erosão, mantém-se sólida, inalterável, pelo que não há nada a temer" disse o egiptólogo.

Considerada um dos monumentos mais representativos da cultura do Egipto Faraónico, a Esfinge de Gizé foi construída com um único bloco de rocha natural e calcula-se que tenha cerca de 4500 anos de existência. Situada em plena planície de Gizé mesmo em frente das três grandes pirâmides de Quéops, Quefren e Miquerinos (uma das sete maravilhas do mundo) e apenas a vinte quilómetros do centro do Cairo, mede seis metros de largura, 20 de altura e 73 metros de comprimento. É a maior estátua de pedra do mundo. Só a boca mede cerca de dois metros e cada uma das orelhas tem quase 1,37 m de altura.

A identidade do seu construtor é um grande enigma. Apesar de não haver referências oficiais, são muitas as teorias que apontam o faraó Quefren como seu mentor. Alguns peritos afirmam que o rosto sob o véu real é o seu.

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