A teoria de que a vitória de Donald Trump nas eleições norte-americanas se deve, em parte, às notícias falsas que circularam no Facebook durante a campanha tem ganho cada vez mais força. Agora, é Paul Horner, um dos autores das informações falsas que se tornaram virais, que admite que pode ter tido um grande papel sobre o resultado final.."Acho que o Trump está na Casa Branca por minha causa", disse Paul Horner numa entrevista ao Washington Post..Esta quinta-feira, por exemplo, Horner publicou uma notícia no seu site que dizia que Obama iria invalidar os resultados das eleições presidenciais. Notícia falsa que foi partilhada mais de 250 mil vezes no Facebook..[citacao:As pessoas estão claramente mais burras].Os outros títulos publicados por Horner são tão inacreditáveis como este. Há a notícia que diz que Obama proibiu que o hino nacional seja tocado em eventos desportivos, a notícia de que o senador Ted Cruz vai apoiar Donald Trump se o presidente tornar a masturbação ilegal e a história do manifestante que confessou que recebeu 3500 dólares, cerca de 3270 euros, para protestar contra Trump. Esta última foi partilhada nas redes sociais até pelo filho de Donald Trump, Eric Trump, e pelo diretor de campanha do republicano, Corey Lewandowski..Para Horner, que escreve notícias falsas há muitos anos, o sucesso dos artigos que publicou na internet nos últimos meses deve-se à grande credulidade dos apoiantes de Trump. "Para ser sincero, as pessoas estão claramente mais burras", disse o empresário.."Já ninguém confirma os factos e foi assim que Donald Trump foi eleito. Ele dizia o que queria e todos acreditavam nele. E quando se mostrava que a notícia era falsa, ninguém se importava porque já a tinham aceitado", continuou Horner. "É muito assustador. Nunca vi nada assim.".Horner contou que não escreveu nenhuma notícia sobre Hillary Clinton ou sobre o candidato independente Gary Johnson durante a campanha porque odeia Donald Trump. Olhando para trás, vê que a maioria dos leitores do seu site eram apoiantes do republicano e isto tornou o seu trabalho mais fácil. "Os seus seguidores [de Trump] não verificam histórias, publicam tudo e acreditam em qualquer coisa", explicou..O empresário explica que não parou de brincar com as crenças das pessoas porque não levou o risco a sério e nunca pensou que Donald Trump fosse mesmo vencer as eleições. "Pensei que estava a prejudicar a campanha [de Trump] mas talvez não o estivesse a fazer tanto quanto queria, mas nunca pensei que ele realmente fosse eleito".."Pensava que iam verificar a notícia e que isso faria com que a imagem deles fosse denegrida", explica Horner. "É assim que funciona: alguém publica algo que eu escrevo e depois descobre que é falso e fica a sentir-se mal. Mas os apoiantes de Donald Trump continuam a partilhar estas histórias e nunca as verificam!".Há um lado positivo na vitória de Trump para Horner, no entanto. "É ótima para qualquer pessoa que trabalha com sátiras", diz Horner. "As pessoas vão acreditar em tudo o que for escrito. Posso escrever as coisas mais impensáveis sobre Donald Trump e todos vão acreditar"..Quanto às medidas anunciadas pela Google e Facebook para travar a divulgação de informações falsas, Horner está um pouco preocupado, mas garante que vai "experimentar novas maneiras"..O empresário contou que recebe cerca de 10 mil dólares por mês, cerca de 9300 euros, com os anúncios publicitários nos seus sites. As duas empresas gigantes da internet afirmaram que vão suspender a publicidade a sites que publiquem notícias falsas, mas Horner duvida que tal aconteça.."O Facebook e o AdSense [da Google] ganham demasiado dinheiro com a publicidade de sites de notícias falsas para, simplesmente, acabarem com tudo isto", afirmou Horner. "Iriam perder muito dinheiro"..Mark Zuckerberg negou a"ideia louca" de que as notícias falsas no Facebook podem ter tido tanta relevância durante a campanha Facebook e disse que "de todo o conteúdo do Facebook, mais de 99% do que as pessoas veem é autêntico"..[artigo:5501642].Segundo o Pew Research Center, 62% dos americanos recebe toda ou parte da informação através de notícias partilhadas nas redes sociais e o Facebook é a que mais mantém os americanos informados.