"Ninguém lucra se nos tratarmos com uma linguagem ameaçadora. Não retribuiremos as ameaças", disse Erdogan em declarações aos 'media' em Ancara e citado pela agência estatal Anadolu. ."Não temos o mínimo problema com as minorias religiosas. Mas não aceitaremos esta linguagem dos Estados Unidos, de mentalidade evangelista, sionista", acrescentou o chefe de Estado turco. .Brunson, um cidadão norte-americano residente na Turquia e detido em outubro de 2016 sob a acusação de vínculos com a confraria do predicador Fethullah Gülen, e com a guerrilha curda do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), encontra-se em regime de prisão domiciliária após ter deixado o estabelecimento prisional na semana passada. .O Presidente norte-americano, Donald Trump, e o vice-Presidente, Mike Pence, um cristão evangélico como Brunson, reagiram a esta decisão exigindo a libertação imediata do clérigo e ameaçando a Turquia com "pesadas sanções" caso o pastor protestante permaneça sob detenção. .Ancara tem desde então vindo a denunciar uma "linguagem inaceitável" por parte do seu aliado na NATO. .Mike Pence já designou o pastor como uma "vítima de perseguição religiosa" numa Turquia de religião muçulmana, e quando na terça-feira representantes de diversas minorias religiosas da Turquia assinaram uma declaração comum na qual afirmam não serem alvo de pressões ou de restrições ao exercício da sua fé. .Brunson, que rejeita todas as acusações judiciais, arrisca 35 anos de detenção. .A Turquia e os Estados Unidos estão envolvidos em diversos focos de tensão, em particular o apoio que foi fornecido por Washington a uma milícia curda síria considerada "terrorista" por Ancara, e os pedidos turcos de extradição de Fethullah Gülen, autoexilado na Pensilvânia desde 1999, e que não foram atendidos pelos norte-americanos. .Em simultâneo, dois empregados locais de missões norte-americanas na Turquia estão atualmente detidos, e um terceiro em regime de prisão domiciliária.