Era uma vez um mundo com botões em vez de olhos

'Coraline e a Porta Secreta' adapta a obra homónima de Neil Gaiman. O novo filme de Henry Selick transporta para o grande ecrã a história de uma criança que encontra os pais atenciosos com que sempre sonhou num mundo alternativo onde as pessoas não têm olhos, mas sim botões.
Publicado a
Atualizado a

Coraline e a Porta Secreta, que hoje se estreia nos cinemas portugueses, junta dois dos autores responsáveis por algumas das histórias mais sombrias da fantasia contemporânea. Henry Selick, responsável por clássicos da animação em stop motion como Estranho Mundo de Jack e James e o Pêssego Gigante, adapta um livro infantil homónimo, da autoria de Neil Gaiman. Esta longa-metragem de animação tem também a particularidade utilizar imagens em três dimensões.

O projecto foi concebido e rodado de modo a aproveitar todas as potencialidades das mais recentes tecnologias 3D, como começa a ser habitual na maior parte do cinema de animação que se estreia hoje em dia. Basta lembrar Bolt, que passou nas sala portuguesas por altura do Natal, ou o facto dos estúdios Disney terem anunciado que a partir de agora só vão lançar filmes de animação digital em três dimensões.

Estamos perante uma fábula contemporânea, a meio caminho entre Alice no País das Maravilhas e Hansel e Gretel, que conta a história de Coraline Jones. A protagonista, uma criança de 11 anos e cabelos azuis, é filha única mas sente que os pais não lhe prestam a devida atenção.

Quando a família se muda para uma nova casa, a criança não tarda em descobrir uma porta que a leva para uma dimensão paralela. Um admirável mundo novo, que não difere muito da realidade, à excepção de dois pormenores: os "novos" pais são muito queridos e prestam atenção à sua filha, mas têm botões em vez de olhos.

Por outro lado, esta dimensão paralela é também muito mais luminosa e alegre que o mundo cinzento onde a pequena protagonista reside. Não obstante, as coisas complicam-se quando a mãe de Coraline lhe explica que para ficar por lá precisa de trocar os seus próprios olhos por botões, à semelhança dos seus "novos" pais. Subitamente, ficar presa neste novo mundo perde parte do encanto.

O realizador sabe aproveitar as inovações tecnológicas ao seu dispor para colocar os espectadores no centro da acção. E só é pena que esta história de uma criança presa num mundo paralelo, não se estreie numa única sala portuguesa na sua versão original.

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt