Era mesmo tudo mentira no 'Expresso da Meia-Noite'

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Em 1978, estreou-se nos cinemas O Expresso da Meia-Noite, do realizador britânico Alan Parker, que se transformou numa das sensações desse ano. Baseado no livro do americano Billy Hayes, o filme contava a "história verdadeira" do calvário deste numa prisão turca, por ter sido apanhado no aeroporto de Istambul com dois quilos de haxixe. Condenado a 30 anos de cadeia, Hayes foi metido num cárcere onde o sadismo dos guardas e as violações eram o pão nosso de cada dia, tendo depois conseguido evadir-se ao fim de cinco anos e fugir para a Grécia. Parker rodou o filme em Malta, após as autoridades turcas terem recusado receber a produção, por razões óbvias.

Atacado de imediato por dar uma imagem negativa e chocante da Turquia, cujo Governo se apressou a desmentir os factos nele narrados, O Expresso da Meia-Noite foi sucesso de bilheteira e ganhou dois Óscares, um deles para o argumento de Stone.

Já então, muita gente chamou a atenção para as liberdades excessivas tomadas pelo filme em relação ao livro, nomeadamente nas cenas de violência física e sexual inexistentes naquele, bem como para a deturpação do final. No filme, Hayes mata sem querer o chefe dos guardas que o ia violar, veste a farda dele e foge pelo portão principal. Na realidade, Hayes foi transferido para outra cadeia, de onde se escapou.

No passado dia 15, Billy Hayes, agora com 60 anos, foi à Turquia dizer aquilo que já havia afirmado nos EUA em 2004: O Expresso da Meia-Noite é um filme mentiroso, "um bluff", em que quase tudo é inventado, em especial a violência, as torturas e as violações no cárcere.

Convidado pela polícia turca para participar numa conferência sobre segurança em Istambul, Hayes, agora argumentista e produtor, pediu desculpa aos turcos pelos problemas que o filme lhes causou, frisando que "muitas das coisas vistas nele não aconteceram na realidade". Entre elas está a famosa sequência onde Brad Davis, que interpreta Hayes, arranca à dentada a língua de outro preso, informador dos guardas.

Reforçando as suas afirmações à imprensa americana em 2004, quando lamentou que o filme mostrasse "todos os turcos como monstros", e que a mensagem deste devia ter sido "não sejam idiotas como eu fui e não façam contrabando de droga, em vez de 'não vão à Turquia'", Billy Hayes disse: "Sobretudo, não é justo que me todo o filme não haja um turco bom, pois até na cadeia onde estive preso os encontrei."

Agora, cinco anos depois de ter expirado o mandato para a sua captura pedido pela Turquia à Interpol, Hayes quer reparar todo o mal que O Expresso da Meia-Noite fez ao país. E vai rodar um filme para o promover internacionalmente. |

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