Entusiasmo controlado com memórias e estreias

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Música. Lisbon Calling, no Pavilhão Atlântico

A orgulhosa T-shirt com a reprodução da capa de Bat out of Hell estava frenética. Mas havia ainda tempo para nova lição de história pop dedicada aos mais pequenos que o rodeavam: "Agora é o Meat Loaf, aquele que tem um disco com uma mota voadora". O fã, Marco Figueira, tal como a grande maioria dos que compunham modestamente o Pavilhão Atlântico, estava ali pelo último nome em cartaz. E no baixar das luzes, a satisfação: quatro guitarras, duas coristas de cabedal vestidas e um piano branco, cumprimdo os estereótipos.

Marvin Lee Aday (o mesmo que assina Meat Loaf sem ninguém conhecer os porquês) subiu ao palco no final de um desfile de memórias. A média das idades fazia-se perto dos 40, não tendo sido as décadas que já lá vão a roubar protagonismo ao cabeça de cartaz. De tal mal padeceram mais os Marillion. Poucos lhes prestaram vassalagem, além dos apaixonados pelos solos da guitarra de Steve Rothery. Ali ao lado dizia-se que estavam "perdidos no tempo".

Masvoltemos, então, a Meat Loaf, o nome que era o maior da noite mas que acabou por despertar bocejos ainda a meio do espectáculo de "rock wagneriano" (como já foi apresentado uma e outra vez). Questionámos Marco Figueira: "A voz não é a mesma, a energia não está presente". A opinião é a de quem, ainda assim, se rendeu a You Took The Words Right Out Of My Mouth ou I Would Do Anything For Love.

Já os The B52's fugiram ao mais óbvio desfile histórico. Com álbum novo para mostrar (Funplex), deram alegrias sobretudo quando recordaram Love Shack ou Mesopotamia. Só então se revelaram coreografias, imitações de Kate Pierson e Cindy Wilson. Afinal, esta era a banda favorita dos que procuraram estar junto ao palco naquela curta hora e meia, a primeira da banda em Portugal.

Ainda antes dos The B52's já se perguntava pela plateia: "É agora o Meat Loaf"? "Não", respondíamos. Era apenas um intervalo, tempo para viagem ao bar ou para fumar um cigarro. Isto depois dos The Stranglers, de formação distante da original de finais de 70, mas convocando os primeiros sinais de energia entre apaixonados pelo punk e pelo sucesso que ainda é Golden Brown. |

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