Entrevista a Aurea
Esperava este reconhecimento em tão pouco tempo?
_Não esperava todas as coisas tão boas que me têm acontecido. Foram boas surpresas. Comecei com expectativas muito baixas, porque sou uma pessoa muito ligada à terra e não sou de fantasiar nem de criar ilusões. Falo por mim e pela equipa, acho que ninguém estava à espera de que isto corresse tão bem e fosse uma sensação tão boa. Estou muito agradecida, mas não deslumbrada. Não me deixo deslumbrar.
Está preparada para o pior da fama?
_O que é a fama [risos]? Não sei se a fama tem um lado pior e um lado melhor, mas sei que tudo faz parte deste trabalho de exposição pública, do reconhecimento, do facto de eu começar a ser conhecida por uma massa cada vez maior de pessoas. Faz parte, é isso. Tenho de aceitar. Há artistas que se expõem demasiado e depois têm dificuldade em pôr um travão na invasão da sua vida privada. Eu acredito que se nos tratarmos todos com respeito vai correr tudo bem. Até agora não tenho tido problemas, fui sempre respeitada pela imprensa, salvo uma ou outra notícia «mentirosa».
Que mudanças o sucesso trouxe à sua vida?
_Desde logo, passar na rua e ser reconhecida [Aurea teve um desses momentos quando estava a ser fotografada num jardim de Lisboa para esta entrevista; foi abordada por um grupo de crianças que lhe pediram para tirar uma foto com elas]. As pessoas falam comigo, têm-me dado muita força. São muito queridas, simpáticas, muito carinhosas. Pessoas de todas as idades. Nos meus concertos vejo crianças de 3 anos, isso é muito bom. Há um grupo no Facebook que se chama MLB - Movimento de Libertação da Bruxa, em que as pessoas que vão assistir aos meus concertos colocam vídeos e comentários. Eu vou respondendo à medida que tenho disponibilidade.
Dos 12 temas do álbum, há um que está sempre a passar nas rádios nacionais, Busy (For Me). Ainda acha estranho ouvir-se, como no início?
_Ainda, ainda. Já me habituei um bocado, mas continua a ser estranho, há sempre aquele pensamento repentino: de onde está a sair a minha voz? Aquela é a minha voz? É uma sensação muito boa, a sério.
E continua a reparar na reacção das pessoas quando a ouvem na rádio?
_Claro que sim, como na primeira vez. Lembro-me da primeira vez quando ouvi Busy na rádio, foi num bar, umas semanas depois do lançamento do álbum. Estava com uns amigos e de repente começou a passar essa música na Rádio Marginal. Fiquei muito quietinha, como quem ainda não tem a certeza se de facto aquela é a sua voz, e depois uma amiga diz «Aurea, és tu, é a tua música». O meu corpo estava estático, comecei só a rodar a cabeça de um lado para o outro para ver a reacção das pessoas à minha volta. E fiquei muito feliz porque senti que estavam a gostar do que ouviam, pareciam embaladas pela minha Busy.
É a sua favorita do álbum?
_Sim. Tenho um carinho especial pela Busy, o que é normal, porque foi das primeiras músicas de estilo soul que o Rui fez [Rui Ribeiro é o compositor das letras e músicas dos nove originais do álbum]. Nós já tínhamos feito uma maqueta com alguns temas, fizemos uma música de cada estilo musical porque ainda não sabíamos bem o que queríamos, então experimentámos vários em busca daquele que mais se adequava à minha voz. Faltava-nos só a soul. Quando gravámos Okay Alright, o primeiro tema gravado em estúdio, a minha voz já tinha evoluído, já tinha ganho outras cores...
A voz tem cor?
_Claro que sim.
De que cor é a sua voz?
_Nunca pensei na cor da minha voz. Sei que há vozes mais quentes, há vozes mais... não quero dizer frias, porque é chato. Não sei explicar isso de a voz ter cor, é uma coisa que se sente. E as cores vão alterando. [Pausa] Quando gravei Okay Alright, chegámos à conclusão de que a minha voz se adaptava mais ao estilo soul. Então o Rui foi para casa e compôs Busy, só instrumental, sem letra, e assim que a ouvi foi paixão logo à primeira audição.
Há alguma música que lhe seja particularmente difícil de cantar?
_A Busy [gargalhada]. Tecnicamente é muito complicada de cantar, para mim é um desafio sempre que a canto. Ainda hoje sinto as mesmas dificuldades, porque tem extremos, tem graves e agudos. Mas eu gosto de desafios. A soul vai melhor com a minha voz e é o género com que me identifico mais, em especial a soul clássica, por ser a raiz, a origem. Também gosto de blues. Na verdade, gosto de misturas e é isso que o álbum é, uma mistura de géneros, tem soul, tem blues, tem pop.
Por que canta em inglês?
_Porque o estilo [soul] o justifica. Eu e o Rui achámos que não fazia sentido cantar as músicas do álbum em português, achámos que devíamos ser fiéis à raiz da soul e a raiz é em inglês. Não quero dizer que a soul não possa ser cantada em português. Claro que pode e há em Portugal quem a cante com muita alma.
Alguma vez cantou em português?
_Apenas duas vezes: a Desfolhada, de Simone de Oliveira, na comemoração dos cinquenta anos da RTP. Foi um grande senhor desafio, fiquei nervosíssima, porque a Simone estava presente. Em português cantei também Só Conversa com o [Paulo] Vintém, mas isso foi há muito tempo.
O primeiro álbum foi lançado há um ano. Aonde Aurea vai, a casa fica cheia...
_Digamos que tem estado composta, sim.
Ainda consegue aceitar todos os convites ou já tem de recusar alguns?
_Não sou eu que trato da minha agenda, mas acho que temos conseguido responder aos convites que nos têm sido feitos. Temos percorrido o país de norte a sul e ilhas, em concertos. Para já, só actuámos em Portugal. Ainda não fomos ao estrangeiro. Quem sabe, um dia...
Os próximos meses já estão agendados?
_Estão. Até ao fim do ano não posso queixar-me de falta de trabalho. O próximo concerto é daqui a dois dias [10 em Mora. Vou actuar em três coliseus: no de São Miguel, no dia 28 Outubro, no do Porto, a 11 de Novembro, e no de Lisboa, creio que é no dia 18 de Novembro. Tem sido uma loucura, uma loucura boa. Acho que pela primeira vez na minha vida estou a gostar de não ter tempo para férias. Tiro três dias aqui, dois dias acolá, não dá para mais.
Canta sempre descalça, em palco, porquê?
_Não é uma imagem que quero impor. Aliás, não sou a única que o faz. No meu caso é por razões de conforto. Adoro sapatos e não faltam sapatos lindos que combinam bem com as roupas que visto nos espectáculos, mas, como todas as mulheres sabem, não há sapatos suficientemente confortáveis com um salto deste tamanho [faz o gesto] para alguém estar durante mais de uma hora, em pé, num palco. Canto descalça simplesmente porque é mais confortável.
Quer estar concentrada na voz e não na bolha no dedo mindinho...
_Isso, isso. A trabalhar sou a favor do conforto a cem por cento. O que me interessa é que a voz saia bem. Comecei a cantar descalça no bar Os Templários, em Lisboa - foi o único bar onde cantei, estive lá durante um ano, às sextas-feiras, de 15 em 15 dias, para me habituar ao palco. Cantava com a banda que me acompanha. Foi uma experiência fantástica, tenho saudades, eram noites fabulosas. Cantava outros artistas, sempre em inglês. Não os imitava, fazia a minha versão com muita entrega. Entrego-me às músicas que canto. Mesmo não sendo minhas, tomo-as como se fossem, como se fizessem parte de mim, e é assim que as interpreto, com alma. Não poderia ser de outra forma. Nessa altura, já tinha gravado o disco, mas ainda não tinha saído. Senti-me bem descalça e não vi razões para não continuar.
Alguém a inspira?
_Sim, muitos artistas. Joss Stone, Amy Winehouse, Aretha Franklin, John Mayer, James Morrison, Zero 7. A Joss Stone, vi-a uma vez ao vivo no Coliseu de Lisboa e foi assim qualquer coisa de espectacular. Ela esteve recentemente no Pavilhão Atlântico, no Festival dos Oceanos, eu tinha planeado tudo para ir vê-la nesse concerto, mas depois não pude, estava num concerto meu no Porto. Admiro muito a entrega dela em cima do palco, o que ela arrisca a cantar. Como é que eu explico isto? Não é o corpo da Joss que está em cima do palco, é a sua alma, o que ela canta sai de dentro dela. Anda ali a pairar, de um lado para o outro, é tão transparente e tão genuína que as pessoas sentem. É isso que me toca muito na Joss Stone, já para não falar nas músicas dela. Admiro-a muito mesmo. A Amy era uma senhora com uma voz fabulosa, um talento especial, era única, também punha alma naquilo que cantava. A Aretha é a Aretha, a grande senhora, tem uma voz poderosíssima ainda hoje. John Mayer adoro, é mesmo muito bom, é um grande guitarrista, consegue falar com a guitarra. James Morrison acho-o fantástico. Zero 7 é brutal.
Aborrece-a estarem sempre a compará-la a Duffy?
_Pelo contrário, acho elogioso. É uma das cantoras que ouvi muito na altura em que gravei o álbum, sobretudo o tema Warwick Avenue. Gosto das suas músicas, da sua voz, da interpretação que faz. Também me comparam a Joss Stone e a Amy Winehouse. Não me incomoda nada, é para mim um privilégio, uma honra.
Teve aulas de canto?
_Nunca tive, mas quero ter. Quando ouvi pela primeira vez o meu álbum, pensei que se o gravasse de novo mudaria algumas coisas, a minha forma de cantar em algumas partes. Estou sempre a tentar fazer o melhor que sei e o melhor que posso. Acho que em algumas passagens a minha voz podia ser melhorada. Quando o ritmo de trabalho acalmar um bocadinho, talvez consiga tempo para ter aulas de canto. Os meus dias têm sido muito preenchidos. Quero muito apurar a minha voz, aperfeiçoá-la, conseguir fazer mais com esta ferramenta com que nasci. A voz que tenho sai-me naturalmente, não foi trabalhada..
Quando descobriu que a tinha?
_Quando o Rui Ribeiro, um amigo e colega da Universidade de Évora, me ouviu a cantar e me desafiou a gravar um disco e o enviou para uma produtora. Eu gostava muito de cantar, mas só o fazia com os meus amigos, na escola, e com a minha família, em casa. Nunca pensei que pudesse ser a minha profissão. Cantava porque era uma coisa, lá está, que me saía naturalmente. Dava imenso valor àqueles momentos que passávamos em família ou com amigos, em que todos cantávamos e tocávamos, era uma festa. Só pensei na possibilidade de ser cantora profissional quando me telefonaram da Blim Records (para onde o Rui tinha enviado o disco) a convidarem-me para gravar um álbum.
Além de a ter «descoberto», Rui Ribeiro é também o co-autor das músicas e das letras dos nove originais de Aurea. Como é que tudo aconteceu exactamente? Ele passou, ouviu-a e ficou logo encantado?
_Não sei se foi logo, mas alguma coisa na minha voz lhe chamou a atenção, porque ele ficou parado a ouvir-me cantar algumas canções. Só depois é que me desafiou a ir a casa dele gravar um tema que ele compôs - chamava-se Broken Pieces - para enviar para a Blim Records, a produtora com que ele colaborava esporadicamente. Éramos amigos, estudávamos na mesma universidade, ele no curso de Música, eu no de Teatro. Quando as aulas terminavam, era costume eu e os meus amigos juntarmo-nos todos numa sala do Convento do Carmo que tinha um piano de cauda, era nessa sala que tínhamos aulas de canto e música. Então eu comecei a cantarolar um tema, não me lembro qual, e depois outro e outro. No fim, perguntou-me se eu gostaria de gravar um disco. E foi para casa, compôs a música e escreveu a letra. Gravei em casa dele, num miniestúdio improvisado, com um microfone e um computador ao lado. Cantei sem experiência nenhuma, estava muito nervosa e insegura. Ele enviou o tema para a produtora. A produtora gostou e convidou-me a gravar um álbum. O resultado é Aurea. Aurea sem acento.
Por que tirou o acento?
_Porque fica mais simples, mais bonito, mais clean. É mais fácil de escrever. Mesmo antes de gravar o álbum, eu não punha o acento quando escrevia o meu nome ou assinava um documento.
Considera vir a compor as suas músicas?
_Primeiro gostaria de aprender música e a tocar um instrumento, talvez guitarra. Se calhar, com uma guitarra na mão sentir-me-ia mais inspirada para compor. É uma das coisas que gostava de fazer um dia.
O que representa para si ter gravado Love Me Tender em dueto virtual com Elvis Presley?
_Foi mais uma prenda que me deram. Ainda por cima, com o acordo da família de Elvis, o que para mim é uma grande honra. A música está incluída numa colectânea de homenagem a Elvis, que envolveu alguns países. Escolheram uma cantora de cada país. Em Portugal escolheram-me a mim. Foi um privilégio, que agradeço imenso. Não faço ideia de onde veio o convite, só sei que cheguei à Blim Records um dia e aí falaram-me do assunto. Gostei muito da experiência, as novas tecnologias permitem fazer tudo.
Mas com quem sonha cantar um dueto é com a Joss Stone. Já lhe fez essa proposta? Enviou-lhe o seu álbum?
_[Gargalhada] É uma ideia. Quem sabe ela gosta de ouvir-me e aceita cantar comigo? Só o facto de ela ouvir o meu álbum já seria um gosto enorme para mim, quanto mais fazer um dueto com ela. Seria brutaaaaaaal.
Tendo em conta que estudou teatro para ser actriz, acha que um dia quererá conciliar as canções com a representação?
_Nesta altura da minha carreira, se é que já posso chamar-lhe carreira (talvez início de carreira seja o mais indicado), é-me difícil pensar nisso, mas não descarto essa possibilidade. Será mais um desafio. Há quem o faça e bem, Lúcia Moniz, Simone de Oliveira, por exemplo. Admiro muito o trabalho de ambas.
Por que quis ser actriz? A música não seria a opção mais lógica? Afinal, já tinha concorrido à primeira edição do Ídolos, em 2003.
_Não concorri ao Ídolos com a ambição de ser cantora. Concorri porque os meus amigos estavam sempre a insistir comigo, diziam que eu cantava bem e que devia fazer o casting. Toda a gente falava no programa de talentos que ia estrear na televisão. Insistiram tanto que eu decidi ir. O casting foi em Beja. Os meus pais, o meu irmão e um amigo foram comigo. Cantei o tema Perdida por Ti, de Lúcia Moniz. (Ora aqui está mais uma música em português que cantei em público. Afinal não foram duas, foram três.)
Não passou do casting. O que acha que sente hoje o júri do Ídolos que a chumbou?
_Não sente nada. Acho que nem se lembram de mim. O júri era composto por Luís Jardim, Ramón Galarza e Manuel Moura dos Santos. Eu era tão novinha nessa altura, não tinha os requisitos que eles andavam à procura para ídolo nacional. Eles queriam um cantor ou uma cantora feitos e eu era uma criança, tinha 15 anos. Não fiquei ressentida, o meu objectivo não era ser cantora. Quando chegou a altura de escolher o que queria ser quando fosse grande optei por Linguística e entrei na Faculdade de Letras de Lisboa, mas rapidamente descobri que não era isso que queria, não me revi no curso e decidi mudar. Tinha amigos a estudar em Évora e pensei: «Adoro Évora, deixa lá ver o que há lá para mim.» Pesquisei no site da Universidade de Évora para saber os cursos que tinha. O que me chamou mais a atenção foram as cadeiras do curso de Teatro - História do Teatro, História de Arte, Cultura Portuguesa, Oficina de Formação Vocal... achei imensa piada. Pedi a transferência da Faculdade de Letras de Lisboa e fui para Évora. Eu já conhecia a cidade, tinha lá ido muitas vezes em visitas de estudo e lembro-me de pensar: «Um dia gostava de estudar aqui.»
E desistiu do curso de Teatro no último ano...
_Sim, faltavam-me apenas algumas cadeiras quando fui ter com os meus pais e lhes disse: «Pai, mãe, descobri aquilo de que gosto mesmo e para o poder fazer não posso continuar o curso de Teatro. Quero congelar a matrícula, se um dia mais tarde fizer sentido terminarei o curso.» Ficaram preocupados com o meu futuro, claro. A minha família está muito ligada à música (o meu pai toca e canta fado, o meu irmão é guitarrista e a minha mãe tem uma voz maravilhosa), e apesar de serem amadores sabem que esta profissão é muito incerta. A de actriz também é, mas eles queriam que eu acabasse o meu curso e tivesse aquilo certinho na minha vida. Agora estão mais descansados, estão orgulhosos de mim. Eu compreendo-os. Os pais vivem sempre com preocupações pelos filhos e os meus estarão sempre preocupados comigo até ao fim da minha vida, é natural. Mas nunca questionaram a minha escolha. Acreditam em mim e apoiam-me muito.
Agora vive em Lisboa e tem andado de um lado para o outro, em concertos. Não sente saudades de casa? Do colo dos pais?
_Sinto, sinto. Às vezes custa um bocadinho não poder estar com os meus pais tanto quanto gostaria, mas tento compensar essa falta com telefonemas. Também me ajuda muito o facto de o meu irmão e a minha cunhada viverem em Lisboa, o que me permite visitá-los com frequência. Os meus pais vejo-os de longe a longe, vivem no Algarve, em Silves. Foi lá que cresci.
Qual foi o espectáculo que mais a marcou?
_Todos marcam, mas o que me marcou mais talvez fosse o concerto na Madeira. Eu estava doente da garganta e a ficar sem voz. No dia do concerto tive de ir ao médico, levei uma injecção para conseguir cantar alguma coisa. Não me sentia muito bem. Os músicos que me acompanhavam estavam preocupadíssimos comigo, sofreram horrores por mim. Houve muita cumplicidade entre nós e isso foi talvez o que mais me marcou. O concerto acabou e abraçámo-nos todos, foi muito emocionante. Costumo dizer que ficou um bocadinho da minha alma naquele palco, naquele dia. Foi muito especial.
O que não pode deixar de fazer antes de entrar em palco?
_Um brinde com vinho do porto. É o meu ritual de boa sorte.
Já tem ideias para o segundo álbum?
_Estamos a começar a pensar nele. Temos algumas ideias, sim. Vai ter muita soul music, é provável que não fuja muito deste género. E mais não digo [risos].
CAIXA 1
A par e passo
No bilhete de identidade é Áurea Sousa, mas o nome artístico é simplesmente Aurea, sem acento, por ser «mais clean, bonito e fácil de escrever». Foi em Santiago do Cacém que nasceu, a 7 de Setembro de 1987 e foi em Silves que passou toda a infância e adolescência, até ir para a Faculdade de Letras de Lisboa estudar Linguística, e depois para o curso de Teatro na Universidade de Évora, de que também desistiu quando lhe faltava completar apenas algumas cadeiras. Pelo meio, longas estadas na casa dos avós, em Alvalade do Sado, Alentejo, para onde ia passar as férias escolares e muitos fins-de-semana. «Recordo esses períodos em Alvalade com muitas saudades, é uma das imensas coisas boas que guardo da minha infância.»
Até ter sido descoberta por Rui Ribeiro, amigo e na altura colega de faculdade, Aurea cantava só para a família e amigos, não imaginava que o seu futuro profissional estava na sua voz poderosa que «vem de dentro, de muito fundo». O que queria mesmo era ser actriz, não obstante ter aceite o desafio de amigos para concorrer à primeira edição do programa televisivo Ídolos, em 2003. O júri não deve ter gostado da interpretação que fez de Perdida por Ti, de Lúcia Moniz, pois não a deixou passar do casting. Foi na Universidade de Évora que o co-autor de nove das 12 músicas que compõem o álbum de estreia a ouviu cantar pela primeira vez e a convidou para gravar um disco caseiro. Chamava-se Broken Pieces. Rui Ribeiro enviou-o para a produtora Blim Records e o convite para gravar um álbum não demorou. A gravação de Aurea demorou três anos. Enquanto isso, Aurea fez outras coisas. Entrou na novela Morangos com Açúcar - Férias de Verão 5, actuou no Festival Morangomania e participou no Morangos Live. Depois de lançar o álbum de estreia, rapidamente a sua voz foi projectada pelas ondas hertzianas. Em todas as rádios nacionais ouvia-se (e ouve-se) o tema Busy (For Me).
Aurea é disco de platina e a sua intérprete foi considerada a Voz Revelação em Portugal, em 2010, foi distinguida com o Globo de Ouro para Melhor Intérprete Individual, em 2011, e foi a única cantora portuguesa seleccionada para cantar um dueto com Elvis Presley para o álbum Viva Elvis, editado em 2010 e inspirado no espectáculo do Cirque du Soleil em Las Vegas, dedicado ao rei do rock. Tudo isto, em apenas um ano.
_ Aurea é disco de platina
_ A sua voz foi considerada Voz Revelação nacional de 2010.
_ Recebe o Prémio Personalidade Feminina de 2010, na área da música, pela revista Lux.
_ Arrecada o Globo de Ouro de Melhor Intérprete Individual, em 2011, da SIC.
_ Foi a única cantora portuguesa escolhida para participar no disco de homenagem a Elvis Presley, Viva Elvis, editado em 2010. Cantou Love Me Tender em dueto com o rei do rock.
_ A música Busy (For Me) liderou o top nacional de vendas durante oito semanas consecutivas.
_ O álbum foi várias vezes n.º 1 no iTunes (Portugal).
CAIXA 2
Ódios de estimação
_ Bonecas de porcelana. «A minha mãe adorava e oferecia-me todos os anos, no Natal, uma boneca de porcelana. O meu quarto estava cheio delas. Só quando cresci é que ganhei coragem para lhe dizer que não queria mais bonecas. Estão todas guardadas num armário na casa dos meus pais, nem consigo olhar para elas.»
_ Livros da Anita. «A minha mãe comprou-me a colecção toda e fez-me ler tudo. Não detestava as histórias, mas também não gostava muito. A minha mãe gostava mais do que eu. Ainda os guarda. A minha mãe diz que se eu tiver uma filha ela irá gostar de os ler.»
CAIXA 3
Top +
_ Joss Stone
_ James Morison
_ John Mayer
_ James Brown
_ Aretha Franklin
_ Muse
_ Air
_ Raquel Tavares
_ Ana Moura
_ Amália
_ Adele
Quando era criança gostava de ouvir
_ Amália
_ Fernando Maurício
_ Lúcia Moniz (o primeiro disco, «Magnólia»)
_ Silence Four
CAIXA 4
Imagem, mas não de marca
_ Cabelo louro platinado
_ Risco preto carregado nos olhos
_ Piercing no nariz
_ Estrelas tatuadas nos pulsos
«Não sou um produto de um consultor de imagem. Ninguém me disse para pintar o cabelo assim e os olhos assado. Já antes de começar a cantar maquilhava-me no dia-a-dia, sempre pintei muito os olhos. E o cabelo é desta cor há imensos anos, usava-o era mais comprido. O piercing no nariz também já o tinha. Esta não é a imagem da personagem que grava e sobe ao palco. Não é a minha marca. É a minha imagem de todos os dias. Sou eu.»

