Salas de partos de Gaia, Aveiro e Guimarães em risco de parar

Especialistas passam a prestar cuidados gerais a partir de hoje. Só irão parar a contestação quando ministério apresentar proposta que vá ao encontro das reivindicações
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Começa hoje às 8 da manhã - início do primeiro turno do dia - a contestação dos enfermeiros especialistas em obstetrícia ao facto de não estarem a ser remunerados como tal. Quem aderiu a esta forma de luta irá prestar apenas cuidados gerais, o que poderá levar, alertam os enfermeiros, à paralisação de blocos de parto. Bruno Reis, do Movimento dos Enfermeiros Especialistas em Saúde Materna e Obstetrícia, espera grandes impactos nas maternidades dos hospitais de Aveiro, Guimarães e Gaia. E ainda fortes constrangimentos nas unidades de Setúbal, Évora e Amadora-Sintra.

"Não tivemos resposta, nem qualquer comunicação do Ministério da Saúde até ao momento e por isso mantém-se tudo como previsto", começou por dizer Bruno Reis, do Movimento dos Enfermeiros Especialistas em Saúde Materna e Obstetrícia, antecipando os efeitos que se podem sentir a partir das primeiras horas do dia, quando os enfermeiros obstetras deixarem de prestar cuidados especializados: "Aveiro, Guimarães e Gaia podem ficar paradas. O número de especialistas que fica não será suficiente. Em Aveiro são precisos, por turno, cinco enfermeiros especialistas no piso de apoio às grávidas. Estará um [contabilidade referente ao turno das 8.00 às 20.00]. É impossível funcionar", afirma, explicando que os protocolos da Ordem dos Enfermeiros recomendam para um parto normal a presença de dois enfermeiros obstetras na sala de partos. "Se o diretor de serviço for consciente terá de fechar o bloco".

Não será caso único. "Guimarães tem quatro/cinco pessoas no quadro e a maioria assinou o documento a anunciar a suspensão do exercício de funções de especialidade. Nos hospitais de Setúbal, Amadora-Sintra e Évora esperam-se fortes constrangimentos. Em Évora a sala de partos está a assegurada, mas a sala de vigilância e apoio não está", exemplifica. O protesto "acabará quando o ministro da Saúde se quiser sentar connosco e apresentar uma solução que vá ao encontro do reconhecimento das especialidades e das nossas pretensões".

Questionado sobre se já tinha recebido o parecer pedido ao Conselho Consultivo da Procuradoria Geral da República, pedido no final da semana passada, e sobre se tinha outros pareceres sobre o mesmo assunto, o Ministério da Saúde disse que não iria fazer mais comentários.

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