"Entramos na Rússia com um vasto portfólio, que orgulha a Encostas d'Alqueva e o vinho português", afirmou Manuel Bio, salientando tratar-se de "um mercado relativamente novo em termos de consumo de vinho português e onde, durante muito tempo, não foi fácil entrar"..Em entrevista à agência Lusa, o diretor-geral justificou a aposta no mercado russo com a evolução que este tem vindo a registar em termos de importação de vinho português: "Nos últimos anos tem vindo a crescer a dois dígitos e já ocupa o 11.º lugar no 'ranking' de países importadores, com a expetativa de entrar no top 10 em 2018", afirmou..Segundo o responsável, as principais cidades russas "têm uma classe média mais aberta a novos produtos, culturas e experiências e com capacidade financeira para as adquirir", sendo prova disso o facto de os vinhos exportados para a Rússia pertencerem à seleção de topo da Encostas d'Alqueva, designadamente vinho de talha, reservas e vinho do Porto, que são produtos "com muito bom preço médio por garrafa"..A recente aposta na Rússia veio juntar-se aos mais de 20 destinos para onde a Encostas d'Alqueva exporta atualmente, na sequência do investimento "mais ativo" feito desde 2017 no crescimento internacional.."2017 foi o ano que marcou a nossa presença na exportação de uma forma mais ativa, estando presentes nas principais feiras internacionais, dando a conhecer os nossos produtos e fazendo contactos que nos abriram algumas portas de negócio muito importantes", referiu Manuel Bio, destacando a China, o Brasil, e Suíça, a Rússia e a Coreia do Sul como os principais mercados de exportação da empresa..Depois de em 2017 ter vendido cerca de um milhão de euros para o exterior, a Encostas d'Alqueva propõe-se atingir os seis milhões de euros até 2020, apontando como "foco a curto/médio prazo o mercado da América do Norte e o europeu mais desenvolvido em termos de consumo de vinhos de qualidade e diferenciadores, como França, Alemanha, Benelux e os países nórdicos".."Com o trabalho da Viniportugal e das comissões vitivinícolas regionais, em conjunto com as iniciativas dos produtores, a oferta dos vinhos portugueses vai chegar a mais regiões do mundo e a mais consumidores", acredita Manuel Bio, referindo como "outro fator que contribuirá para o aumento de exportações a melhoria contínua da qualidade e a diferenciação dos vinhos portugueses, cada vez mais unanimemente reconhecida no mercado externo".."Há um bom potencial de crescimento nos próximos anos. Portugal está na moda e devemos aproveitar o reconhecimento internacional e o grande número de visitantes que provam aqui os nossos vinhos para colocá-los em vários pontos do mundo", referiu.."Por outro lado -- acrescentou - existe uma crescente valorização do vinho português pelos mercados externos. A qualidade do nosso vinho é hoje reconhecida internacionalmente e a nossa excelente relação preço/qualidade é um fator competitivo diferenciador quando comparado com os outros vinhos europeus, como o francês, o italiano e o espanhol". .Apesar de ter começado por operar apenas com vinho do Alentejo, a Encostas d'Alqueva produz atualmente vinhos e marcas das principais regiões vitivinícolas nacionais - Alentejo, Douro, Porto, Dão, Lisboa, Ribatejo e Vinho Verde -- no âmbito de uma estratégia "desenvolvida muito numa ótica de exportação e de uma oferta completa para os clientes internacionais"..De acordo com Manuel Bio, desta forma a empresa conseguiu "fechar em exclusivo distribuidores que querem um portfólio completo de Portugal somente a trabalhar com a Encostas d'Alqueva, como é o caso do mercado russo". .Para além de uma gama representativa das várias regiões vitivinícolas portuguesas, a empresa comercializa ainda o vinho de talha, que diz ser "um produto diferenciador destinado a mercados mais exigentes como EUA, Suíça, Benelux, Inglaterra e mercado de topo brasileiro e asiático".