Em Roma, faz como os romanos

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Na literatura americana clássica, a Itália, e Roma em especial, era onde as jovens heroínas vinham ser expostas às tentações e às influências de uma Europa pesada de séculos, cultura e pecado. Depois, o cinema americano encarregou-se de estereotipar a Cidade Eterna como um lugar de permanente alegria veraneante, pedras milenares, romance no ar e música nas esquinas. Precisamente, alguma crítica italiana atirou-se a Woody Allen por ele ter filmado Roma como uma cidade turística, de bilhete-postal, no seu novo filme, Para Roma, com Amor. Sem perceber que a intenção era mesmo essa. Se ele tivesse feito um filme neorrealejo e desgraçado, de certeza que o tinham atacado por mostrar só o lado feio e decadente da cidade. Para Roma, com Amor é o correlativo cinematográfico de estar na Cidade Eterna, em agosto, a almoçar numa esplanada e a beber Lambrusco bem fresco, na companhia de amigos inteligentes, espirituosos e vividos, que contam histórias muito divertidas passadas em Roma. Woody Allen, que não aparecia num filme seu desde Scoop (2006), volta para a frente das câmaras, mobiliza um pequeno exército internacional e multigeracional, de Ellen Page e Jesse Eisenberg a Alec Baldwin, Roberto Benigni, Judy Davis e Ornella Muti numa pontinha, passando por Penélope Cruz e até pelo tenor Fabio Armiliato (este num dos papéis filet mignon do filme), e distribui-o por uma série de histórias em vários tons de comédia, da farsa à sátira, roçando pelo nonsense, sem grandes preocupações de coerência temporal, numa Roma encharcada em luz estival, ao som - sim! - de Volare ou Arrivederci Roma. E se o filme parece às vezes desarrumado, não se esqueçam de que estamos em Roma e não em Londres ou em Berlim. Por isso, Woody Allen faz como os romanos.

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