Marcelo revela: 10 de Junho será na zona dos incêndios de 2017

Na inauguração do memorial às vítimas dos fogos de há seis anos, António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa estiveram juntos. Por entre alertas para não se repetir o passado, o PM pediu cuidado.
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De manhã, a consciencialização: "O fogo é um risco que está presente e não vai desaparecer." Ao fim da tarde, o reforço da ideia: "O risco aumenta todos os anos (...). O passado pode sempre repetir-se."

As palavras são de António Costa, primeiro-ministro, proferidas ontem no Sardoal (de manhã) e em Pedrógão Grande (à tarde), na inauguração do memorial às vítimas dos incêndios de 2017, onde morreram 66 pessoas. No seu discurso, o primeiro-ministro admitiu que, apesar da possibilidade de o passado se voltar a repetir e de a ameaça dos fogos se manter, o Estado deve preparar-se para essas situações. Ainda assim, a responsabilidade é, também, popular, uma vez que a esmagadora maioria dos incêndios que ocorreu desde janeiro têm sido provocados por negligência.

Depois de António Costa, foi a vez de Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República, discursar. E aí chegou a revelação: as celebrações do próximo 10 de Junho serão nas zonas afetadas pelos fatídicos incêndios de 2017 (Pedrógão Grande, Castanheira de Pêra e Figueiró dos Vinhos). "Eles e elas [as famílias e vítimas] merecem. Portugal merece", considerou o Presidente da República. "Mais do que uma celebração", as comemorações nessa zona, devem ser "um compromisso" com o interior do país, de forma a promover a Coesão Territorial. "É preciso dar mais do que um sinal de vida" à região, considerou o Presidente da República.

Recuando até à noite dos incêndios, Marcelo Rebelo de Sousa recordou o percurso que fez: foi até ao centro de comando, com as estradas cercadas por chamas. Uma vez no centro de operações, "parecia que se via Pedrógão a arder. Era essa a sensação", recordou, deixando também uma palavra ao trabalho dos bombeiros que, "a certa altura, ficaram sem comunicações" de qualquer natureza.

Além de Marcelo e de António Costa, também a ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, esteve presente em Pobrais, localidade do concelho de Pedrógão Grande onde fica situado o monumento de homenagem às vítimas dos incêndios.

Apesar da tónica de esperança dos governantes, a cerimónia ficou marcada por um protesto silencioso: no local, um dos feridos graves dos fogos de 2017 despiu-se a poucos metros de Marcelo e Costa, mostrando as cicatrizes em todo o corpo. Atirou depois panfletos para uma parte do monumento, vestiu-se e acabou por abandonar o local.

Também ontem, a Associação de Vítimas dos Incêndios de Pedrógão Grande apelou aos políticos para que não se repitam mais situações como a de 2017.

Na mesma cerimónia onde PM e PR falaram, Dina Duarte, presidente da associação, deixou o apelo: "Peço-vos, enquanto elemento da AVIPG, que todas as vossas energias sejam aplicadas na missão para a qual foram eleitos - cuidar de Portugal -, para que não se façam mais memoriais de futuro. Esse é o vosso desígnio e a nossa esperança." Dina Duarte manifestou ainda esperança na data da inauguração: "Que 27 de junho 2023 seja o virar da página, que as nossas lágrimas sequem para dar lugar à esperança de um país melhor, de um território onde há futuro. Um país onde há memória, porque um país sem memória do passado não constrói futuro promissor."

Por outro lado, o autarca de Pedrógão Grande, António Lopes (PSD), disse que "manter viva a memória dos que partiram, neste espaço, é tarefa árdua, porque envolve a missão de tudo fazer, diariamente, para que acontecimentos daquela natureza não se repitam", considerando depois que o memorial acaba por ser um "espaço de refúgio de respeito, onde o elemento água, conjugado com a terra, se opõe ao fogo".

Horas antes, em Mação, um dos concelhos frequentemente fustigado por incêndios, o ministro do Ambiente e da Ação Climática defendeu que o futuro das florestas nacionais passa pela gestão integrada. "Temos claramente uma aposta forte nas AIGP, que tem como objetivo (...) poder transformar pequenas propriedades em propriedades geríveis com capacidade de gerar rendimento económico para cada um dos seus proprietários", afirmou Duarte Cordeiro. Com Lusa

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