Eleitores castigam partido de Lula na segunda volta das municipais

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Foi uma dolorosa ressaca para a euforia do Partido dos Trabalhadores (PT) no primeiro turno. Se, na primeira fase das eleições municipais brasileiras, o partido do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva obteve o melhor desempenho e se tornou no grupo político com mais votos no país, o PT amargou na segunda volta derrotas importantes. Principalmente em cidades que administrava anteriormente. Um «recado» de que os eleitores desaprovaram essas administrações.

A derrota mais importante aconteceu em São Paulo. O candidato do PSDB, José Serra, venceu a prefeita Marta Suplicy, do PT.

Os petistas também perderam em Porto Alegre. O partido administrava a capital do Rio Grande do Sul há 16 anos. Todas as demais forças políticas do estado uniram-se para desalojar o PT. José Fogaça, do PPS, venceu na disputa Raul Pont, do PT.

Em Belém, capital do Pará, outra cidade que também era governada pelo PT, a petista Ana Júlia Carepa foi derrotada por Duciomar Costa, do PTB.

Nas capitais, o PT perdeu ainda as eleições em Curitiba, Goiânia e Cuiabá.

O partido de Lula venceu, porém, em Fortaleza, Vitória e Porto Velho.

feriado. A segunda volta das eleições municipais reforçou mais ainda a polarização política entre o PT e o PSDB.

Na primeira volta, o principal partido de oposição ao Governo conseguira eleger prefeitos de cidades grandes e médias do país, e saiu com a segunda melhor votação em termos absolutos. Mas não conseguira eleger o prefeito em nenhuma capital. Agora, o PSDB «fez» cinco capitais. Entre elas, a maior cidade do país. José Serra obteve 3,3 milhões de votos (55% do total). Na véspera, o candidato temia que os seus eleitores deixassem São Paulo, dilatando o fim-de-semana com o feriado de CorpusChristi, na terça-feira. Não aconteceu. «A população preferiu não trocar quatro dias de feriado por quatro anos de seu futuro», disse Serra após sua vitória.

Além de São Paulo, os tucanos - como são popularmente chamados os políticos do PSDB - elegeram os prefeitos de Curitiba (Beto Richa), Florianópolis (Dário Berger), Cuiabá (Wilson Santos) e Teresina (Sílvio Mendes).

A maior derrota foi experimentada pelo oligarca baiano António Carlos Magalhães. O seu candidato a prefeito, César Borges, obteve a menor votação proporcional entre todos os candidatos que disputaram a segunda volta. Apenas 25,31% dos eleitores baianos votaram nele. Uma imensa união de forças políticas cerrou fileiras para imprimir essa derrota a Magalhães. O candidato João Henrique, do PDT, foi eleito com esmagadores 74,60% dos votos.

camarões. Outra derrota importante aconteceu no Rio de Janeiro, com o ex-governador Anthony Garotinho, do PMDB.

Nas últimas eleições presidenciais, Garotinho conseguiu chegar em terceiro lugar e parecia um líder político em ascensão. Conseguiu tornar a sua mulher, Rosinha Matheus, a governadora do Rio. Nas eleições municipais, porém, Garotinho deu um espectáculo de maus modos políticos. Para tentar vencer em Campos, a sua cidade natal, chegou a oferecer camarões a um real num restaurante popular. Nas vésperas das eleições, a polícia encontrou num comité eleitoral uma soma de mais de 300 mil reais (cerca de cem mil dólares) que se destinaria a comprar votos de eleitores. No fim, apesar de tudo isto, Anthony Garotinho perdeu a eleição em Campos. O seu candidato, Geraldo Pudim, do PMDB, foi derrotado por Carlos Alberto Campista, do PDT.

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