Eike Batista, de 7.º homem mais rico do mundo a devedor

O empresário brasileiro Eike Batista, que chegou a ser considerado o sétimo homem mais rico do mundo pela Forbes, em 2012, vive um momento delicado após o pedido de recuperação judicial da sua principal empresa, a petrolífera OXG, criada em 2007.
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Segundo a Bloomberg, a fortuna de Eike Batista chegou a atingir os 34,5 mil milhões de dólares (25,38 mil milhões de euros), em março de 2012, e agora está estimada em 200 milhões de dólares (147 milhões de euros).

Filho de Eliezer Batista, um ex-ministro de Minas e Energia do Brasil e ex-presidente da empresa de minérios Vale, uma das maiores do Brasil, Eike Batista teve desde cedo contacto com o mundo dos negócios na área de energia, área-chave das empresas de seu grupo.

A sua real ascensão e visibilidade surgiu a partir de 2007, com a criação da empresa de exploração e produção de petróleo e Gás OGX, subordinada ao grupo EBX, holding que também controla empresas na área de mineração (MMX), indústria naval (OSX), energia (MPX), logística (LLX) e carvão (CCX).

Atualmente sob os holofotes dos meios de comunicação social pelo pedido de insolvência apresentado na quarta-feira à Justiça brasileira, a OGX surgiu à boleia das novas descobertas de petróleo em águas profundas do litoral marítimo brasileiro.

O rápido crescimento da empresa - que chegou a atingir um valor de mercado de 45,3 mil milhões de dólares (25 mil milhões de euros), em 2010 - ocorreu em função de previsões para o futuro, já que boa parte dos campos exploratórios que a empresa possui ainda não entraram em operação.

Desde a sua fundação, segundo dados da própria empresa, a OGX captou investimentos da ordem de 9 mil milhões de dólares (6,6 mil milhões de euros) de investidores privados, oferta pública de ações, e venda de títulos (bonds) no exterior.

O bom momento económico vivido pelo país naquele momento, principalmente devido à descoberta de petróleo na área do pré-sal, ajudou a impulsionar os negócios de Batista, reduzindo os riscos de investimento e dando maior credibilidade à empresa face aos investidores estrangeiros.

Místico, Batista gostava de contar nas muitas entrevistas que deu à imprensa brasileira, no auge do sucesso, que o "X" presente em todas as suas empresas era um símbolo "multiplicador" do dinheiro e do sucesso.

A sua confiança e empreendedorismo levaram-no a investir em áreas totalmente diferentes, que vão desde o super Porto de Açú, no estado do Rio de Janeiro, com capacidade de movimentar cerca de 350 milhões de toneladas por ano, até à reconstrução do tradicional Hotel Glória, no centro do Rio de Janeiro, que acabou por ser colocado à venda antes da conclusão do projeto de modernização prometido.

No pedido de recuperação judicial, em análise no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, a empresa declarou que tem uma dívida de 11,2 mil milhões de reais (3,7 mil milhões de euros).

As suas ações, negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), já chegaram a custar 23,00 reais (7,6 euros), em 2010, mas são negociadas esta tarde a 0,13 reais (0,04 euros), uma queda de mais de 90 por cento no seu valor de mercado, que é neste momento de pouco mais de 400 milhões de reais (132 milhões de euros).

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