EDP torna-se na 4.ª maior do mundo nas renováveis

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A EDP vai investir cerca de 2,9 mil milhões de dólares (cerca de 2,1 mil milhões de euros) na aquisição da empresa norte-americana de energias renováveis Horizon Wind Energy, empresa líder na gestão e exploração de parques eólicos nos Estados Unidos, com presença em seis Estados daquele país. Com esta aquisição a eléctrica portuguesa concretiza a sua entrada no mercado norte-americano e posiciona-se, desde já, em quarto lugar no ranking das maiores produtoras de energia eólica a nível mundial. Com a conclusão, no final deste ano, dos parques que a Horizon tem em construção, que representam mais 997 megawatts de potência instalada a somar aos 559 MW que já tem em operação, a EDP poderá subir para o terceiro lugar na lista dos grandes produtores mundiais de "energia do vento".

A transacção, ainda sujeita a aprovações regulatórias nos Estados Unidos, pelo que só deverá estar concluída no final deste ano, valoriza os capitais próprios da Horizon em 2150 milhões de dólares (cerca de 1,61 mil milhões de euros). Além disso, a eléctrica portuguesa assume 180 milhões de euros de dívida da Horizon e o valor da aquisição à data da sua conclusão, será ainda ajustados de acordo com os investimentos realizados pe- la empresa, actualmente calculados em 600 milhões de dólares.

A aquisição da Horizon acelera o crescimento dos activos da área das renováveis da EDP para 7,6 GW em 2010 e permitirá um crescimento do EBITDA (resultados antes de taxas, depreciações e amortizações), da eléctrica de 11% para 13% no final da década. O investimento acumulado adicional como resultado da operação será de 3,5 mil milhões de euros entre 2007 e 2010.

Segundo o presidente executivo da EDP, António Mexia, "a opção de adquirir a Horizon nos Estados Unidos "foi a melhor, porque é a que permite à EDP diferenciar-se mais dos seus pares. Passamos a liderar a área de maior crescimento em termos energéticos, a da produção de energia eólica". António Mexia relembrou que hoje no mercado ibérico das renováveis "já existe um certo congestionamento e o mercado dos Estado Unidos da América é aquele que tem maior potencial de crescimento". O gestor adiantou que "a EDP tem de crescer e só podemos fazê-lo se apostarmos naquilo em que sabemos fazer melhor do que os outros. Esta é uma área onde já demonstramos que somos melhores". Ao mesmo tempo, António Mexia reconhece que os Estados Unidos representam para a EDP um grande desafio. "Este projecto vai acentuar uma mudança cultural, porque passamos a actuar num mercado onde as regras do jogo são completamente diferentes." Além disso, a aquisição da Horizon representa um grande esforço financeiro para a empresa, que considera para já excluídas outras aquisições. Isto não quer dizer que não continue a estudar outros mercados, como admitiu o presidente da empresa, um deles é o do Reino Unido.

Para já, a compra da líder norte-americano de eólicas irá implicar um aumento da dívida da eléctrica de 3,2 mil milhões de euros em 2010. Talvez por isso os especialistas do mercado de capitais não tenham reagido bem à operação. Na sequência do anúncio da compra da Horizon, a Standard & Poor's colocou o rating de crédito "A/A-1" da EDP sobre observação com implicações negativas. "Esta grande aquisição vai ter um impacto negativo no perfil financeiro da empresa, o qual já é de alguma forma negativo para um 'A'", refere a empresa em comunicado.

A S&P sublinha ainda que a aquisição da Horizon vai aumentar de forma significativa o investimento de 7,5 mil milhões de euros previsto pela EDP no seu plano estratégico para o período de 2007-2010, dos quais 2,9 mil milhões são para as energias renováveis.

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