A EDP-Energias de Portugal vai alterar a sua política comercial no mercado liberalizado de electricidade. A ideia é acabar com os contratos que oferecem preços fixos por períodos longos de tempo. Segundo António Mexia, presidente-executivo (CEO) da empresa, "não se deve oferecer contratos de energia a preço fixo com prazos dilatados num ambiente de volatilidade das matérias-primas". António Mexia referia-se aos actuais preços do petróleo e restantes combustíveis fósseis, que esmagaram as margens de venda aos clientes do mercado liberalizado..Na verdade, a EDP, à imagem de outras empresas do sector eléctrico, realizou uma política bastante agressiva de captura de clientes para o mercado liberalizado e agora está a colher os frutos negativos dessa actuação. Mas António Mexia, durante a apresentação de resultados trimestrais ontem feita em conferência de Imprensa, garantiu que "tudo estará resolvido até final do ano", data em que expiram os últimos contratos de preço fixo. A partir daí - e desde já, nos que entretanto forem expirando - a EDP vai usar um indexante para contratar preços, que deverá ser o preço da pool em Espanha..Mas a questão até poderá ser marginal: é que actualmente os preços no mercado liberalizado são mais altos do que os praticados na tarifa, o que decorre precisamente da alta do preço das matérias-primas. Isso está a fazer com que os clientes que optaram pelo mercado liberalizado estejam agora a regressar ao mercado regulamentado. Neste momento, a tarifa em Portugal é mais favorável ao cliente do que os preços médios praticados na pool em Espanha. .Na conferência de Imprensa, António Mexia deixou claro que a EDP vai modificar o seu plano estratégico, que vigora até 2008, já em Julho deste ano. "A estabilidade das operações da EDP, mesmo num ambiente de instabilidade do mercado, demonstra que é preciso desafiar o plano estratégico e encontrar novas plataformas de valor", disse. O CEO da EDP não adiantou pormenores, mas o reforço da componente eólica, já responsável por uma fatia significativa de resultados (ver texto abaixo), está entre as apostas mais firmes para a mudança do mix de produção..Comentando o ambiente em que decorreu a actividade do primeiro trimestre (a equipa de António Mexia só tomou posse no final desse período), o CEO da EDP enfatizou a "instabilidade regulatória em Espanha", responsável por algumas performances menos positivas do negócio do grupo. A questão tem que ver com um "emendar a mão" por parte do governo espanhol que, a braços com um exponencial défice tarifário decorrente de muitos anos de formação de preços de forma fictícia, veio retirar direitos que entretanto tinha oferecido aos produtores, nomeadamente no que diz respeito às emissões de CO2. António Mexia diz que tem "pareceres de advogados" que vão no sentido de que o "interesse dos consumidores" impõe "a gratuitidade dos direitos no mercado regulamentado"..Outra das críticas feitas às entidades reguladoras teve como alvo a ERSE. Mexia diz que esta não incluiu na tarifa, ao contrário do que fez em 2005, o défice decorrente do fim dos contratos de fornecimento (CMEC). E embora a EDP esteja convencida que irá receber esse aval no futuro, o facto é que as novas normas de contabilidade não permitem alocar como proveitos algo que ainda não deu entrada nos cofres da empresa..António Mexia escusou-se a comentar aspectos do negócio que não tivessem que ver com os resultados do primeiro trimestre. Mas sob a hipótese de a EDP trocar as acções que tem na Optimus por valor idêntico na empresa cotada, o CEO disse que está mandatado pelos accionistas para negociar a venda, não estando neste momento "nem mais próximo nem mais longe" do que antes da proposta da empresa de Paulo Azevedo. C